No entanto, o contraste com a tecnologia moderna é inegável: carros super luxuosos, com designs aerodinâmicos e silenciosos, deslizam pelas ruas pavimentadas com perfeição, enquanto robôs discretamente garantem que a cidade permaneça limpa e organizada.
Em Zintria, além da fusão arquitetônica entre o passado e o futuro, a população também é marcada por uma clara divisão cultural. De um lado estão os Techris, um grupo que abraça o progresso e a inovação, vivendo cercados por dispositivos de última geração, realidade aumentada e implantes cibernéticos.
Eles acreditam que a tecnologia é o caminho para a evolução da sociedade e estão constantemente criando e adaptando novos avanços para melhorar a vida cotidiana.
Por outro lado, existem os Antyros, que se apegam às tradições e buscam preservar o legado cultural da cidade. Preferem um estilo de vida mais simples, onde a tecnologia é utilizada com moderação, e valorizam rituais antigos, mantendo vivos os costumes de seus antepassados.
Lua caiu de joelhos no chão coberto de folhas úmidas, sentindo o choque da transição pelo portal do tempo. O ar ao seu redor era denso e frio, a escuridão da floresta apenas quebrada pela fraca luz das estrelas e o brilho residual do portal que lentamente desaparecia. Ela se levantou lentamente, ainda assimilando as palavras de MaouCron: "Confie em seus instintos... não confie em mais ninguém."
A jovem maga olhou ao redor, tentando entender onde estava, seus olhos brilharam levemente enquanto ela se concentrava, conjurando uma pequena esfera de luz em suas mãos para iluminar o caminho à sua frente.
Ainda meio atordoada, seus pensamentos tomaram conta:
"Onde estou?", "O que aconteceu", "Que lugar é esse?" "O que é aquilo?"
Respirando fundo, tentando se acalmar para enfim tentar continuar, ela começou a andar devagar, mesmo que ainda tenha seus sentidos bagunçados.
Aos poucos, suas lembranças tomavam conta de seus longos e confusos pensamentos, até essas lembranças serem substituídas por mais questionamentos e preocupações:
"Corey, como você pode?", "O que deu em nós para irmos atrás deles?", "Bryan, será que esta bem?", "Suya estava comigo, é agora?", "O que raios é este lugar, onde eu vim parar?".
Por um instante, sua mente ficou em completo silêncio, como se o mundo ao seu redor tivesse congelado. Então, uma súbita realização a atingiu, e ela murmurou: "Espera... Na caverna, aquelas palavras... O que ele queria dizer? Seria sobre o Corey? Ou quem sabe sobre outra pessoa?" As memórias confusas da caverna voltaram à tona, misturadas com o sentimento de incerteza.
Ainda desorientada, seus pensamentos giravam sem direção, mas uma dúvida persistia. Ela olhou ao redor, tentando encontrar alguma presença familiar, mas a escuridão da floresta a envolvia como um véu. A confusão deu lugar à preocupação crescente, e, por fim, ela sussurrou para si mesma, quase sem perceber: "Cadê vocês? Eu não os vejo."
Sua voz saiu baixa, como um suspiro abafado, carregado de angústia, ecoando na solidão da noite.
Quando Lua finalmente se pôs totalmente em pé, sem cambalear ou andar desengonçada, ouviu em sua mente uma voz familiar: "Recomponha-se, Luarina. Não deixe seus pensamentos te dominarem, como lhe ensinei. Tenha foco, preste total atenção em sua respiração ou sua magia será falha." Era como se a lembrança mais antiga de seu pai estivesse vindo ao seu encontro, reconfortando-a, mas também chamando sua atenção para o que precisava fazer.
Ela parou de andar e começou a se certificar de que estava bem. Com uma das mãos, passava os dedos por seu corpo, verificando se estava machucada e observando o estado de suas roupas. Enquanto fazia isso, segurava a esfera de luz na outra mão, garantindo que ela não se apagasse. Logo, seus dedos tocaram o colar pendurado em seu pescoço, e por um breve momento, pensou: "Não a sinto, Hope." A perda de foco foi instantânea, como se esse pensamento a desconectasse de tudo o que havia pensado antes.
Em seguida, olhou para sua pequena bolsa, perdendo-se por um momento. "Tudo está aqui?" — murmurou para si mesma, mais calma, mas ainda sem confiança em suas próprias ações. Um suspiro cansado escapou de seus lábios, mostrando o peso do cansaço emocional que carregava.
Mesmo sem saber para onde ir, Lua começou a dar novos passos, caminhando lentamente pela floresta. Agora, com os olhos mais atentos, ela olhava à sua volta, vendo tudo com mais clareza. Mas uma única certeza a acompanhava: não estava mais em uma região conhecida.
Enquanto Lua caminhava pela floresta, cada passo parecia trazer um som distante mais próximo: o estrondo abafado de fogos de artifício. A princípio, era um eco sutil entre as árvores, mas a cada novo passo, o som tornava-se mais nítido, e pequenas explosões coloridas começaram a brilhar no céu à sua frente.
Curiosa, ela ergueu o olhar, admirando brevemente os fogos que iluminavam o céu noturno com cores vibrantes. As faíscas dançavam no ar, pintando breves traços de luz que desapareciam logo em seguida. Os olhos de Lua seguiram o rastro das luzes até que ela finalmente encontrou a origem daquele espetáculo: uma cidade ao longe, cujos edifícios se destacavam contra o horizonte iluminado.
Sem hesitar, e agora com um novo objetivo em mente, Lua começou a caminhar em direção à cidade.
Equanto Lua observava a movimentação ao seu redor, um robô esguio e brilhante se aproximou. Ele tinha um corpo metálico prateado e olhos luminosos em tom azul que piscavam suavemente, sinalizando que havia detectado sua presença. Sem hesitar, estendeu um dos braços mecânicos e, com uma voz artificial suave, disse:
"Boa noite, cidadã! Posso lhe interessar em um NeuroBrace? Um dispositivo de última geração que aprimora suas funções cognitivas e amplia sua capacidade de concentração. Perfeito para qualquer atividade que exija alto desempenho mental."
O robô apresentou o produto, uma pulseira metálica elegante que cintilava com pequenas luzes coloridas ao longo de sua superfície. Lua, ainda confusa e surpresa, olhou para o item sem saber o que responder.
Lua olhou ao redor, absorvendo a estranheza do ambiente tecnológico. Seus olhos voltaram-se para o robô que lhe oferecia o dispositivo. Com um tom baixo e surpreso, ela perguntou:
"Que lugar é esse?"
A pergunta escapou de seus lábios como um sussurro, carregada de confusão. Lua ainda estava um pouco atordoada, e a ideia de que o robô pudesse não entendê-la a fez hesitar. “Será que consegue me entender?” ela pensou, o dilema passando pela sua mente enquanto esperava uma resposta.
O robô, aparentemente programado para interagir com diferentes seres, respondeu com uma voz calma e mecânica:
"Você está em Zintria, uma cidade avançada localizada na ilha de Velyria. É um centro de inovação e tecnologia. O produto que oferecemos é um NeuroBrace, projetado para aprimorar a capacidade cognitiva."
Enquanto Lua aguardava, o robô continuava a segurar o objeto com suas mãos metálicas, suas luzes piscando suavemente. A resposta do robô ajudou a esclarecer parte de suas dúvidas.
O robô continuou a insistir com um tom persuasivo:
"O NeuroBrace pode ser seu por um preço muito acessível. Tenho certeza de que irá adorar os benefícios que ele oferece para o seu desempenho mental. Por favor, permita-me mostrar como ele funciona."
A curiosidade de Lua falou mais alto, e, ainda intrigada pelo novo mundo que estava explorando, ela decidiu aceitar a oferta. Com um gesto hesitante, ela pegou a pulseira da mão do robô e a examinou de perto.
Quando chegou o momento de pagar, Lua retirou um pequeno saco de moedas de ouro que carregava consigo.
O robô examinou as moedas com um scanner embutido em seus olhos luminosos. O brilho dos circuitos refletia um reconhecimento imediato da raridade e valor das moedas. Após uma breve análise, o robô ajustou sua postura e disse, com um tom de compreensão:
Robô: "Parece que você é uma pessoa de alta classe.
Ele fez uma pausa e continuou:
"Em Zintria, utilizamos chips de pagamento instalados em nossas mãos para transações financeiras. Se desejar, posso ajudar a converter seu dinheiro para o formato utilizado aqui."
Lua inclinou a cabeça, seu olhar curioso e desconfiado se fixando no robô enquanto ela perguntava:
"Hmm, o que é um chip?"
Sua voz carregava um tom de incerteza, misturado com uma dose de cautela. Ela estava intrigada com a ideia de um sistema de pagamento tão diferente do que conhecia, e o fato de que moedas de ouro, um item valioso e raro, eram aparentemente incompatíveis com o sistema local aumentava sua apreensão.
O robô respondeu com uma explicação clara e didática:
"O chip é um dispositivo de pagamento integrado diretamente em nossa pele. Ele armazena informações financeiras e permite transações digitais instantâneas. É uma tecnologia avançada que substitui a necessidade de moedas físicas ou cartões de crédito."
Enquanto o robô falava, ele mostrou um pequeno dispositivo com um visor que parecia estar pronto para realizar a conversão da moeda de ouro. Lua observava com uma mistura de fascínio e cautela. A ideia de ter um chip implantado em sua mão parecia invasiva e incomum para ela, mas a necessidade de se adaptar a esse novo mundo e a possibilidade de facilitar suas transações poderiam ser vantajosas.
"Será que devo aceitar o chip?" — Lua pensou, ponderando sobre as implicações de aceitar a oferta. Ela ainda estava processando as informações e considerando se essa era a melhor maneira de se integrar ao novo ambiente sem comprometer sua segurança ou privacidade.
Lua, ainda ponderando sobre a situação, decidiu recusar a oferta do chip. Com uma determinação silenciosa, ela retirou uma das moedas de ouro da bolsa e a entregou ao robô. O robô, um pouco surpreso, examinou a moeda novamente com seu visor, aceitando-a como pagamento.
"Obrigado pela sua compra," disse o robô, com um tom de gratidão programado. "Desejo-lhe um excelente uso do NeuroBrace. Tenha uma boa noite."
Com isso, o robô se afastou, seguindo seu caminho entre a multidão movimentada da cidade. Lua observou o robô desaparecer na distância, sentindo uma leve sensação de alívio por ter feito a transação sem aceitar o chip.
Agora, com o NeuroBrace ajustado em seu braço, Lua sentiu a tecnologia avançada pulsar suavemente contra sua pele. O dispositivo era elegante e moderno, com um design que misturava estética futurista com funcionalidade. Luzes pequenas e discretas piscavam ao longo da pulseira, e a sensação de usar uma tecnologia tão sofisticada era ao mesmo tempo impressionante e um pouco estranha.
Lua olhou para o NeuroBrace, sentindo-se um pouco mais equipada para enfrentar os desafios do novo mundo. O dispositivo parecia prometer aprimorar suas capacidades mentais, o que poderia ser útil enquanto ela tentava se adaptar e encontrar seus amigos em Zintria.
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Enquanto Lua tentava se ambientar, uma jovem de beleza marcante se aproximou. Com um sorriso caloroso, a garota se apresentou:
Lua, ainda ajustando-se ao novo mundo, não compreendeu o dialeto imediatamente. A língua que July falava parecia fluida e rápida, mas não era familiar. Nesse momento, o NeuroBrace em seu pulso apitou suavemente, ajustando automaticamente o idioma. De repente, as palavras de July se tornaram claras, como se tivessem sido traduzidas diretamente para sua mente.
Surpresa, Lua abriu a boca para responder, e para seu espanto, percebeu que estava falando o mesmo idioma de July sem esforço.
"Oh... agora eu consigo te entender!" — Lua disse, impressionada com o funcionamento do NeuroBrace. Ela sorriu de volta para July, ainda maravilhada com a tecnologia que lhe permitiu comunicar-se tão facilmente.
July, com um sorriso amigável, gesticulou para uma mesa perto da janela, onde Lua aceitou e se sentou. A posição era perfeita; dali, Lua podia observar o movimento do café e da rua, analisando o ambiente com mais atenção. O Hipecafe tinha uma atmosfera tranquila, embora ainda carregasse uma sensação de avanço tecnológico em cada detalhe, desde as mesas até os dispositivos interativos nas paredes.
Enquanto Lua se acomodava, July, sempre observadora, notou que as roupas de Lua eram diferentes do que as pessoas locais costumavam usar. Havia algo nela que denunciava sua origem de fora da cidade. Aproximando-se um pouco mais, July perguntou, com curiosidade e um toque de gentileza:
"Você não é daqui, né?"
Lua hesita por um momento, responde gentilmente enquanto observa a moça à sua frente.
– Eu... não sou – disse com um sorriso leve, tentando parecer amigável. Em seguida, complementou: – É muito perceptível?
July responde com um sorriso gentil, tentando não demonstrar o súbito entusiasmo que sentiu.
– Um pouco, suas roupas são diferentes... eu acho que já a vi em algum lugar – diz ela, franzindo a testa levemente enquanto tenta lembrar de onde reconhecia Lua.
De repente, algo parece fazer sentido na mente de July. Ela arregala os olhos, aponta para Lua e, com uma expressão de surpresa, grita:
– Aaaahhhh, você... é ela? Não é possível... como...
Antes que Lua pudesse reagir, July rapidamente a puxa pelo braço, conduzindo-a para um canto mais reservado, longe de olhares curiosos.
– Venha comigo... – sussurra, com urgência.
July leva Lua para o andar superior do café, onde há um quarto simples, mas acolhedor. Ela abre a porta e faz um gesto para que Lua entre, ainda respirando de forma acelerada pela descoberta. Lua hesita por um instante, mas July insiste.
– Entre...
July aponta para a imagem e, com os olhos brilhando de animação, exclama:
– É você está aqui... veja! – Ela aponta para a figura que retrata Lua no jornal. – Não acredito! Você é uma das Heróis Valentes... como isso é possível?
– Heróis Valentes? – perguntou em tom de dúvida.
Enquanto observava o jornal seus pensamentos se embaralharam. "Espera, aquela sou eu, e meus amigos, mas como?" Ela respirou fundo, tentando recuperar o controle sobre suas emoções.
Ao olhar para July, com seus olhos brilhando de entusiasmo, Lua sentiu uma sensação de acolhimento que lhe deu coragem. A garota parecia genuinamente fascinada e não havia perigo ali. Isso a fez relaxar e se sentir à vontade para perguntar o que quisesse.
– Eu tenho tantas perguntas, mas acho que você também tem – disse Lua, rindo levemente do momento, onde as dúvidas pareciam se multiplicar. Então, ela continuou: – Vamos fazer assim, irei começar a contar o que aconteceu comigo, já que você fez a pergunta "como é possível?". Mas minha resposta pode não ser muito clara... porque, sinceramente, não faço a mínima ideia de quanto tempo se passou. Em que ano estamos?
July: Estamos no ano 6.500. Hoje é 08 de fevereiro, dia do Victory Day.
Enquanto absorvia a notícia, Lua fez uma pausa antes de responder. "Victory Day?"
July: O Victory Day é uma data muito importante aqui é celebrado em cidades como Eteria, Astrid, Zintria e, claro, na ilha de Velyria. Tudo começou no ano de 6.380, quando uma guerra brutal entre máquinas e humanos explodiu na capital de Eteria. A Guerra HR — Humanos contra Robôs — foi um conflito sobre a liberdade das máquinas. Os robôs queriam ser mais do que servos e exigiram o direito de se libertar. Só que, como você deve imaginar, não foi bem aceito pela sociedade da época.
July fez uma breve pausa, olhando pela janela para a movimentação festiva, antes de retomar:
July: A guerra durou cerca de 20 anos, e foi um período sombrio. Muitas vidas foram perdidas. Mas, em meio ao caos, houve aqueles que conseguiram fugir e outros que se adaptaram a novos ambientes, como o povo da cidade de Astrid. Eventualmente, a paz foi alcançada, e como parte do acordo entre as raças, criaram direitos de liberdade para as máquinas, especialmente as mais inteligentes, que hoje vivem na capital de Eteria. Mas aqui em Zintria é um pouco diferente. As máquinas que você encontra por aqui não pensam por si só — elas são compradas como produtos e seguem as ordens dos donos. Isso, claro, está dentro da lei.
Ao ouvir July contar sobre o Victory Day e a Guerra HR, Lua ficou completamente em choque
Por alguns minutos, Lua permaneceu em silêncio, sua mente agitada, tentando assimilar a magnitude do que tinha ouvido...



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