Após assimilar o que havia escutado de July, Lua a observou por um momento. Com entusiasmo brilhando em seus olhos, July se sentou na cama enquanto Lua permanecia em pe diante dela.
July com um sorriso curioso, disse: "Agora, me conte sua história.”
Lua, um pouco hesitante, começou: "Tanta coisa aconteceu, mas parece que foi ontem que eu estava com meus amigos explorando uma caverna." Conforme as palavras saíam, a maga começou a descrever com mais detalhes o começo de sua jornada, relembrando o frio cortante das montanhas e a vastidão da neve que cobria o solo. Ela explicou sobre a descoberta da caverna e a tensão crescente ao explorar suas profundezas, mencionando a história gravada nas paredes e a assustadora maldição que encontraram.
July escutava atenta, quase sem piscar, enquanto Lua avançava no relato. Ao ver a reação da garota, Lua, por um instante, não soube como reagir e, sem pausa, continuou a falar: "E depois de chegarmos àquela caverna e batalharmos com os Guardiões de Gelo... encontramos a Joia. Mas, depois de Corey e Bryan lutarem — um querendo pegar a Joia e o outro querendo deixá-la onde estava — eles simplesmente sumiram em um feixe de luz."
Lua fazia gestos leves com as mãos, relembrando a cena confusa e frenética. "Logo depois disso, uma estranha criatura chamada MaouCron apareceu. Ele nos disse que nossos amigos haviam sido transportados para outra época e nos ofereceu a chance de segui-los. Eu e Suya nos entreolhamos, confusas, mas acabamos concordando. E foi assim que acordei aqui."
Ela fez uma pausa breve, pensando nas palavras finais de MaouCron. "Ainda me lembro dele dizendo para confiarmos apenas em nós mesmas... isso não sai da minha cabeça."
Lua hesitou por um segundo. Seu olhar ficou distante, como se estivesse revivendo o momento, perdida nas memórias da caverna, da batalha e das escolhas que os levaram até ali.
July, ao perceber o olhar distante de Lua, inclinou-se um pouco mais para frente, tentando chamar sua atenção com um tom suave, mas firme: "Que bela história!" Ela sorriu, admirando a coragem e a aventura que Lua descrevera. Com uma mistura de empatia e curiosidade, acrescentou: "Você acabou de chegar e, pelo jeito, não conhece nada aqui. Seria uma honra para mim se você passasse a noite aqui. Tenho um quarto de hóspedes que está à disposição."
Lua, ainda um pouco perdida em suas lembranças, piscou algumas vezes antes de focar novamente em July. As palavras da jovem a tiraram daquele estado de contemplação, e ela processou a oferta com uma mistura de alívio e cautela.
O ambiente ao redor parecia tão diferente e desconcertante, e a hospitalidade inesperada de July era uma oportunidade para Lua se situar melhor naquele novo mundo. A jovem maga olhou para July, que a encarava com um sorriso caloroso e convidativo. Era difícil não confiar na energia leve e amigável da garota, mas Lua sabia que precisava ser cuidadosa, lembrando-se das últimas palavras de MaouCron.
Apesar da desconfiança inicial, Lua finalmente assentiu, agradecida: "Eu... agradeço muito pela oferta. Não sei quanto tempo vou ficar por aqui, mas, por enquanto, aceito a sua hospitalidade."
July sorriu, levantando-se da cama com animação. "Ótimo! Você vai adorar o quarto. Vou te mostrar onde fica."
Lua sentiu uma leveza no ar, como se, pelo menos por aquela noite, pudesse descansar um pouco e processar tudo que havia ocorrido.
Depois de mostrar o quarto, July foi até um armário próximo, abrindo as portas com facilidade. Ela puxou algumas roupas dobradas e se aproximou de Lua, com um sorriso gentil.
Lua, por um momento, olhou para as roupas e depois para July, que estava claramente entusiasmada com o plano. A jovem maga sorriu levemente, ainda processando a gentileza de July. Ela não estava acostumada a esse tipo de hospitalidade, mas havia algo na energia de July que a fazia se sentir à vontade.
"Obrigada," Lua disse com sinceridade. "Acho que trocar de roupa é uma boa ideia." Ela sabia que precisava se adaptar rapidamente a esse novo mundo, e a ajuda de July poderia ser exatamente o que precisava.
July se despediu com um aceno alegre antes de sair do quarto, deixando Lua para trocar de roupa e se preparar para uma nova etapa em sua jornada. Enquanto Lua olhava para as roupas em suas mãos, ela não pôde deixar de pensar em como as coisas tinham mudado tão repentinamente, e em como, apesar de todas as incertezas, ela agora tinha uma aliada inesperada nesse novo lugar.
Naquela noite, depois de uma longa conversa e um breve momento de silêncio contemplativo, July e Lua foram se deitar. July acomodou-se em sua cama, enquanto Lua, em seu novo quarto de hóspedes, vestiu as roupas que July lhe emprestara. O cansaço finalmente a alcançou, e, por mais que seus pensamentos ainda estivessem repletos de memórias da caverna e de seus amigos desaparecidos, o aconchego da cama a ajudou a relaxar. O sono veio rapidamente, como um alívio bem-vindo.
Na manhã seguinte, por volta das 8:00, o sol suave invadiu os cômodos da casa, anunciando o início de um novo dia. July foi a primeira a acordar, animada com os planos. Ela bateu levemente na porta de Lua, chamando-a: "Bom dia! Vamos tomar café e depois sair para o shopping?"
Lua, ainda se adaptando ao novo ambiente, levantou-se e rapidamente se preparou. O aroma de café fresco e pão quente os guiava até a cozinha, onde July já tinha preparado uma mesa simples, mas deliciosa. Enquanto tomavam café, Lua observava as ruas de Zintria do lado de fora da janela, tentando se acostumar com a vida moderna e tecnológica da cidade. A conversa entre as duas era leve e descontraída, e, aos poucos, Lua começava a sentir que, pelo menos por hoje, poderia deixar suas preocupações de lado.
Assim que terminaram o café, July, visivelmente empolgada, puxou Lua pela mão e a conduziu para fora de casa. As duas caminharam pelas ruas movimentadas de Zintria até chegarem ao shopping, um imenso complexo de vidro e aço que brilhava com a luz do sol. Os carros futuristas e os robôs passando pelas calçadas reforçavam o quão diferente esse mundo era do que Lua estava acostumada.
July, sorrindo de orelha a orelha, olhou para Lua. "Pronta para o dia das meninas? Vamos achar roupas incríveis para você. Eu conheço os melhores lugares!"
Lua sorriu suavemente, ainda se adaptando ao ritmo intenso e peculiar de Zintria. Havia algo genuinamente reconfortante na energia radiante de July, que parecia iluminar cada ambiente que tocava. Apesar das preocupações com sua jornada e da incerteza do futuro, Lua percebeu que esse pequeno instante de normalidade poderia ser justamente o alívio necessário para renovar suas forças.
Com um entusiasmo contagiante, July levou Lua até uma loja de roupas. lá, ambas mergulharam em um universo de estilos futuristas, tecidos brilhantes e cortes arrojados. Lua experimentou diversos looks, um mais ousado e inovador que o outro, enquanto July dava opiniões divertidas e exageradas, arrancando gargalhadas espontâneas da nova amiga. Entre trocas rápidas de roupas e comentários brincalhões, as duas acabaram se rendendo à leveza do momento, rindo e celebrando cada combinação que Lua experimentava.
Após sair da loja, carregadas com sacolas e sorrisos largos, July surpreendeu Lua novamente ao sugerir uma visita ao salão de beleza. Hesitante, Lua acabou cedendo ao convite, intrigada com a ideia de se permitir um cuidado pessoal depois de tantos desafios. No salão, as duas relaxaram enquanto profissionais habilidosos cuidavam de seus cabelos e unhas. Lua deixou-se levar pela experiência, observando com curiosidade os equipamentos tecnológicos que transformavam cada processo em um espetáculo eficiente e luxuoso.
Entre conversas leves e o brilho nos olhos de July ao comentar sobre a cidade, Lua começou a sentir algo novo crescer dentro de si: uma sensação de pertencimento, mesmo que temporária. No final da tarde, com cabelos revitalizados, unhas impecáveis e um look moderno que exalava confiança, Lua não pôde deixar de agradecer a July. Por mais breve que fosse, esse instante de conexão e leveza trouxe uma fagulha de esperança para encarar os desafios que certamente ainda estavam por vir.
Lua se aproximou da vitrine da loja de joias, os olhos presos na pedra vermelha que reluzia como se tivesse vida própria. A intensidade do brilho parecia hipnotizá-la, quase como se a chamasse.
July percebeu sua reação e se aproximou, espiando a pedra ao lado de Lua.— Você gostou dessa? — perguntou July, com um sorriso animado. — Tem um brilho lindo, né? Dizem que essas pedras são super raras aqui em Zintria.
Lua assentiu, mas não respondeu de imediato. Seu olhar permaneceu fixo na pedra enquanto uma sensação de calor percorria seu peito. Aquele brilho parecia despertar memórias ou algo adormecido dentro dela. A luz emanada pela pedra lembrava o brilho de sua própria magia, mas havia algo mais... algo misterioso.
Ao entrar na loja, uma vendedora, elegantemente vestida, se aproximou com um sorriso profissional.
— Vejo que notou nossa joia mais especial — disse a mulher. — É uma pedra única, dizem que foi encontrada em uma cratera há séculos. Dizem que traz sorte... ou, dependendo da lenda, revela os verdadeiros desejos de quem a possui.
Lua hesitou, mas decidiu perguntar:
— O que mais vocês sabem sobre essa pedra? Tem alguma história... além da lenda? — A voz dela soava interessada, mas também cautelosa, já que estava acostumada a lidar com itens que escondiam algo a mais.
July sorriu, intrigada com o interesse súbito de Lua. Enquanto a vendedora buscava mais informações, July puxou Lua para mais perto e brincou:
— Está procurando um amuleto de poder, ou é só pela beleza? De qualquer forma, acho que vai combinar com seu novo look.
Lua deu uma risada, embora sua mente já estivesse a mil. Ela sabia que havia algo naquela pedra que não podia ignorar. Por instinto, ela colocou a mão em seu colar — um movimento automático que fazia sempre que estava nervosa ou intrigada.
Quando Lua tocou na pedra, o brilho intenso pareceu aumentar, como se estivesse reagindo diretamente à sua presença. Sua mão formigou levemente, e Lua quase a deixou cair.
July observou tudo com um olhar fascinado.
— Uau, isso nunca aconteceu quando vi essa pedra antes. Você tem um toque mágico, hein?
Lua mal ouviu o comentário, totalmente concentrada na pedra que repousava em sua palma. Havia uma conexão inexplicável entre elas, e, por um breve momento, Lua teve um vislumbre de algo — uma lembrança, uma visão. Um círculo mágico semelhante ao que vira na caverna dos Guardiões de Gelo.
Despertando do transe, Lua olhou para July.
Quando a vendedora voltou, trouxe um pequeno livro desgastado.
— Parece que a pedra carrega um nome: Rugia. Supostamente, é uma das sete pedras deixadas pelos antigos mestres da magia. Mas claro, isso é só uma história, algo que as pessoas adoram imaginar.
— Esse é um item especial e raro. O estojo, junto com o livro, faz parte de um conjunto para quem deseja explorar o mistério das pedras luminares. Há, ao todo, sete joias como essa, cada uma com uma característica única e um poder associado, segundo o livro. Dizem que juntas elas revelam algo extraordinário, mas... nunca encontrei ninguém que as reunisse. — A vendedora deu uma breve pausa, gesticulando com graça. — Boa sorte na sua jornada para encontrá-las.
Lua observava o estojo, onde a pedra vermelha repousava em uma cavidade acolchoada, enquanto outras seis esperavam preencher os espaços restantes.
O livro anexado parecia antigo, suas capas de couro decoradas com runas brilhantes que reagiam ao toque da luz ambiente. Intrigada, Lua passou os dedos sobre o símbolo na capa e sentiu um arrepio familiar: magia.
O coração de Lua acelerou. Algo dentro dela dizia que essa pedra estava longe de ser apenas uma peça decorativa.
— Eu vou levar — declarou com firmeza, determinada a descobrir seu mistério.
A vendedora lançou um sorriso cordial, mas ao mesmo tempo demonstrou um leve traço de curiosidade ao anunciar:
— O preço desta peça é de 10 mil Zin. Como é uma peça valiosa, você pode efetuar o pagamento colocando sua mão aqui na máquina, para que possamos ler o chip.
Lua hesitou. Seu olhar passou da máquina para a peça valiosa e depois para a vendedora. Respirou fundo e respondeu, em tom firme, mas educado:
— Eu não possuo o chip de transação. No entanto, tenho isto.
Ela tirou de uma pequena bolsa uma moeda de ouro puro. A peça brilhava intensamente sob a luz da loja, sua perfeição e raridade capturando a atenção da vendedora.
A mulher, claramente intrigada, pegou a moeda com delicadeza, avaliando o objeto físico de um sistema econômico tão raro em um mundo movido por chips digitais. Após alguns segundos de análise, seus olhos se iluminaram:
— Hmm, vejo que é ouro puro. Podemos aceitá-la como pagamento. Uma moeda como esta equivale a aproximadamente 15 mil Zin no mercado atual.
Lua demonstrou um misto de alívio e surpresa com a valorização. A vendedora continuou, sorrindo:
— Vou abater o valor total da peça e lhe devolvo o restante em créditos digitais ou em outra moeda de sua escolha.
Essa transação, embora simples, chamou atenção dos poucos presentes na loja, pois era algo incomum em uma era onde o físico quase não era mais reconhecido como valor.
Com um pequeno sorriso nos lábios, virou-se para July, que a observava com curiosidade, mas também com uma expressão de gentileza natural.
— July, eu quero que você aceite o troco dessa transação no seu chip. Considere como um agradecimento por tudo que você tem feito por mim até agora — disse Lua, sua voz carregando um tom caloroso, mas decidido.
July arregalou levemente os olhos, surpresa pela generosidade inesperada. Ela balançou a cabeça rapidamente, parecendo hesitante.
— Não, Lua, eu não posso aceitar isso! Você já está passando por tanta coisa...
Lua ergueu uma das mãos suavemente, interrompendo a resposta de July com um gesto delicado, mas firme.
— Por favor, July. Eu insisto. Você me ajudou quando eu mais precisava. Isso é apenas uma pequena forma de demonstrar minha gratidão.
Os olhos de July brilharam com emoção, e ela finalmente cedeu, acenando em concordância.
— Tudo bem, mas só porque é você quem está pedindo. E... obrigada, Lua. Isso significa muito para mim.
A vendedora observava a interação com interesse e um pequeno sorriso, já se preparando para registrar o restante do valor no chip de July....
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