Enquanto Lua e July desfrutavam de sua manhã no shopping, algo extraordinário acontecia na parte mais calma e tranquila de Zintria, onde os Antyros, a comunidade tradicional, viviam suas rotinas com devoção às suas crenças antigas. No meio da avenida principal, o céu começou a mudar. O sol, que normalmente irradiava um calor suave, brilhou com uma intensidade incomum, banhando tudo ao redor com uma luz ofuscante.
No centro da rua, dentro daquele clarão celestial, algo começou a se formar. A luz tornou-se mais intensa por um breve momento e, então, dissipou-se, revelando um jovem.
Liush Clifford abriu os olhos em uma rua movimentada, o som abafado de passos e conversas lhe envolvia, enquanto ele tentava processar onde estava.
As construções ao redor eram tradicionais, com telhados curvados e fachadas de madeira que lembravam uma época antiga, mas o contraste dos robôs passando pela calçada, movendo-se suavemente entre as pessoas, sugeria algo muito além de uma simples cidade tradicional. Mulheres vestidas como gueixas caminhavam graciosamente ao seu lado, e suas roupas coloridas e elegantes balançavam com o vento suave, criando uma atmosfera quase surreal.
A dor de cabeça que pulsava em sua mente o impedia de pensar claramente. Era como se sua própria consciência estivesse fragmentada, uma névoa obscurecendo a verdade de quem ele realmente era. Ele se sentou lentamente no chão de pedras polidas, O zumbido irritante em seus ouvidos dificultava a concentração, mas aos poucos flashes de memória começaram a emergir, como pedaços de um quebra-cabeça que ele não conseguia montar.
Liush segurou a cabeça com uma das mãos, sentindo a dor ainda intensa. O mundo ao seu redor parecia instável, mas ele se esforçou para focar em algo – Agatha.
A imagem dela surgia com uma clareza incomum, mas o resto... o resto era um emaranhado de fragmentos confusos e caóticos. Quem era Agatha? E por que ele estava aqui, em um lugar tão distante e desconhecido?Antes que pudesse afundar mais em seus pensamentos, uma garota que estava observando de longe se aproximou, com uma expressão de preocupação no rosto. "Você está bem?", ela perguntou com uma voz suave, quase hesitante. Liush tentou responder, mas suas palavras saíram incertas, e logo em seguida, a tontura o fez sentir o mundo girar ficando meio inconciente.
A garota, vendo o estado fragilizado do rapaz, rapidamente chamou por sua mãe que estava do outro lado da rua, perto de uma pequena loja. Com a voz um pouco agitada, ela gesticulou, e sua mãe logo veio, percebendo o jovem debilitado no chão. Juntas, com cuidado, o ajudaram a se levantar. Embora ele ainda estivesse meio inconsciente, a garota e sua mãe conseguiram carregá-lo pelas ruas até uma casa próxima, moderna e humilde, escondida em um bairro tranquilo.
A casa, de linhas simples e decoração minimalista, tinha uma fachada clara com detalhes em madeira, destacando a mistura de tradição e modernidade daquele mundo.
O portão rangeu levemente quando a mãe da garota o abriu, revelando um pequeno jardim bem cuidado. Ao entrarem, o pai da garota, um homem robusto de olhar preocupado, apareceu na entrada da casa. Sem fazer muitas perguntas, ele rapidamente tomou o rapaz em seus braços e o carregou para dentro.
O ambiente interno da casa era acolhedor, com móveis de madeira clara e um ar de simplicidade que irradiava tranquilidade. O homem deitou Liush cuidadosamente sobre um futon macio no centro da sala. As janelas abertas deixavam a brisa suave circular, e a luz do sol que passava por entre as cortinas criava uma atmosfera serena, perfeita para o descanso que ele tanto precisava. O pai da garota ajeitou a cabeça de Liush com um travesseiro e o cobriu com um lençol leve, deixando-o descansar.
Depois de ajeitar Liush no futon, se virou para sua esposa e filha, com uma expressão séria e um pouco preocupado.
— Quem é esse rapaz? — ele perguntou, cruzando os braços e lançando um olhar desconfiado para o jovem desacordado.
A garota, ainda ofegante após ajudar a carregar Liush, respondeu rapidamente:
— Eu não sei, pai... Ele estava inconsciente na rua, pareceu precisar de ajuda. Não pude deixá-lo ali, sozinho.
O pai estreitou os olhos, claramente descontente. Ele se aproximou da filha, abaixando a voz, mas mantendo o tom firme.
— E se ele for perigoso? Como pode trazer um estranho para nossa casa assim? Não sabemos quem ele é, nem o que aconteceu com ele!
A garota, determinada, não recuou diante da repreensão.
— Pai, olhe para ele! — disse, apontando para Liush que ainda estava adormecido, com o rosto sereno, mas marcado pela exaustão. — Ele parecia completamente perdido... E veja as roupas dele. Não são comuns, parece que ele veio de muito longe. Algo não está certo com ele, mas não me parece alguém que nos faria mal.
O pai se aproximou do rapaz desacordado e o observou mais de perto. As roupas de Liush eram, de fato, diferentes, com um estilo e material incomuns para o que estavam acostumados a ver naquela cidade. Ele franziu a testa, hesitante, e suspirou profundamente antes de se virar para a filha e a esposa.
— Tudo bem... Ele pode ficar até se recuperar — disse, seu tom de voz mais brando agora. — Mas tenhamos cuidado. Ainda não sabemos quem ele é ou de onde veio.
A mãe da garota assentiu silenciosamente, apoiando a decisão do marido. Ela olhou de volta para o rapaz, que respirava devagar e pesado, como se seu corpo estivesse finalmente começando a se estabilizar após o trauma. A garota, por sua vez, deu um pequeno sorriso de alívio, feliz por ter convencido o pai.
Enquanto a noite caía, a pequena família manteve vigilância sobre o jovem, esperando que ele acordasse e, com sorte, revelasse quem era e o que havia acontecido com ele.
Após cinco dias de um sono profundo, Liush finalmente começou a se mexer, seu corpo ainda estava pesado, mas a dor de cabeça havia diminuído para uma leve pulsação. Lentamente, ele abriu os olhos, piscando algumas vezes para ajustar-se à luz suave que iluminava o ambiente. O teto era simples, de madeira clara, e o ambiente ao redor exalava uma tranquilidade que ele não conseguia identificar.
Seu olhar vagou pelo quarto, observando os detalhes com curiosidade e confusão. o pequeno quarto onde estava era acolhedor, com poucos móveis, mas cada objeto parecia bem cuidado. Ao seu lado, um futon extra estava dobrado, e uma janela aberta deixava a brisa noturna entrar, trazendo consigo o cheiro de terra molhada e flores. Liush tentou se levantar, mas seus músculos ainda estavam fracos. Ele apoiou-se com dificuldade nos cotovelos, sentindo seu corpo lutar contra a exaustão que parecia não ter fim, ao observar mais atentamente, notou que suas roupas estavam intactas, mas havia algo naquele lugar que não fazia sentido para ele. A mente de Liush ainda era um caos, mas uma coisa estava clara: ele não sabia onde estava. Sentiu a sensação de estar fora de lugar, como se pertencesse a um mundo distante, mas, ao mesmo tempo, não conseguia lembrar exatamente como chegou ali. De repente, ele ouviu um leve som ao longe, passos vindos do corredor, seus olhos se estreitaram, alertas, mas sua respiração permaneceu calma enquanto aguardava a pessoa se aproximar.
A porta deslizou suavemente, e a garota entrou no quarto, interrompendo os pensamentos confusos de Liush. Ela tinha uma expressão calma, quase aliviada, e carregava consigo um sorriso acolhedor. Seus olhos se iluminaram ao ver que o rapaz finalmente estava consciente. — Finalmente, você acordou! — disse ela, com uma voz suave e calorosa, aproximando-se dele. — Como você se sente?
Liush: Desculpe perguntar, mas quem é você e onde eu estou? — com uma determinação clara em seu olhar.
A garota sorriu novamente, como se a clareza de suas palavras pudesse confortá-lo.
— Meu nome é Ana, e você está na minha casa. Eu te encontrei inconsciente na rua e decidi trazê-lo para cá.
Enquanto a garota respondia, Liush começou a olhar ao redor do quarto, sua expressão mudando gradualmente de confusão para desconforto. Ele percebeu que algo estava faltando, um vazio que não conseguia nomear, mas que o deixava inquieto. Seu olhar se moveu lentamente, examinando cada objeto no cômodo, da prateleira de livros à pequena mesa de chá, com a esperança de identificar o que exatamente lhe faltava.
A garota, notando a sua inquietação, gesticulou apontando para o armario. — Não se preocupe, — disse ela, tentando tranquilizá-lo, — guardamos suas espadas no armário para que você tivesse um descanso confortável.
Liush parou por um instante, refletindo sobre a fala da garota. "Espadas?" A palavra ressoou em sua mente, despertando fragmentos de uma memória que parecia distante. Seus olhos se fixaram em suas próprias mãos, como se pudessem sentir o peso das espadas.
Sua cabeça começa a doer um pouco como se algo estivesse tentando rasgar sua mente. Flashbacks o atingem, uma enxurrada de imagens de um campo de batalha sangrento e caótico. Ele vê-se lutando ferozmente, suas espadas cortando o ar, enquanto em torno dele o cenário é um retrato horrível de destruição: corpos caídos, o solo manchado de sangue, gritos abafados e o cheiro de morte no ar.
Liush coloca sua mão sobre sua cabeça ao sentir a dor aumentar.
O sangue escorre por entre os cadáveres, formando poças escuras no solo destruído, o ar está pesado, saturado pelo cheiro metálico de sangue misturado ao da terra revirada
Liush mantém-se firme, o olhar fixo nos corpos como se estivesse preso naquele momento, sua expressão é sombria, o peso do que acabou de fazer pesando sobre seus ombros como uma corrente invisível. As espadas em suas mãos tremem progressivamente, não por fraqueza, mas pelo impacto do cenário ao redor, mas, de repente, sua visão se aproxima do chão. sua respiração se torna pesada, e um sentimento avassalador de quase morte o invade, como se estivesse à beira do abismo.
Quando a dor parecia quase insuportável, sua mente trouxe um lampejo de algo diferente. Uma imagem de Agatha surgiu, trazendo consigo uma onda de calor e calma. Ele se comprometeu profundamente, fechou os olhos e colocou a mão sobre a cabeça, murmurando para si mesmo:
– Ágata...
Liush piscou algumas vezes, seus olhos finalmente ajustando-se à realidade ao seu redor. O peso dos flashes de memória começou a se dissipar, embora o eco de suas lembranças ainda pairasse em sua mente.
– Desculpa por isso - diz ele ao recobrar a consciência e ver que a garota estava preocupada enquanto ele estava perdido em seus pensamentos porém, nota que a preocupação da garota não sumiu.
A garota suspira aliviada, mas ainda mantém o olhar preocupado, observando-o cuidadosamente, como se quisesse ter certeza de que ele realmente estava bem. Seus olhos se fixaram por um momento no rosto de Liush.
Para tranquilizá-la, Liush forçou um pequeno sorriso, mesmo que sua própria confusão ainda o consumisse.
A mudança foi imediata. A expressão preocupada da garota suavizou, seus ombros relaxaram levemente, e a tristeza em seu semblante se desfez. Ela soltou um suspiro discreto, como se aquele simples gesto de Liush tivesse lhe dado a certeza de que ele ficaria bem.
...
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Liush tem um passado bem sombrio, deve ser bem difícil ter que carregar todo esse peso, por tanto tempo
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