Posted by : Suya Violet

Após algum tempo refletindo, Liush decidiu da uma volta, ele saiu do quarto e foi até o jardim ele olhou ao redor e viu um ambiente totalmente diferente do qual estava acostumado.

Sem um rumo definido, Liush seguiu instintivamente por um caminho de pedras desgastadas pelo tempo. após alguns minutos de caminhada, ele avistou uma construção imponente no topo de uma pequena colina. Era um templo antigo, com colunas rachadas e símbolos entalhados que ele não reconhecia. a estrutura estava coberta por musgo e envolta por um ar sombrio, como se houvesse algo impuro ali.

Mesmo assim, algo dentro de Liush o impulsionou a entrar. assim que ele colocou os pés no interior do templo, um brilho intenso emergiu do chão, como se uma energia adormecida tivesse sido despertada por sua presença.

A luz dourada se espalhou rapidamente, iluminando cada canto do templo e dissipando uma névoa escura que se agarrava às paredes. O miasma maligno que antes corrompia aquele lugar foi completamente erradicado em questão de segundos.

Liush ficou imóvel por um instante, observando a transformação ao seu redor. Era como se o templo estivesse se purificando após anos de decadência. Ele não sabia o motivo, mas sentia que sua chegada ali não havia sido um acaso.

Liush franziu a testa, observando as partículas douradas de luz que ainda flutuavam pelo ar, resquícios do que acabara de acontecer. — Eu não entendo o que está acontecendo, mas… melhor eu ficar atento.

Com uma sensação inquietante percorrendo seu corpo, ele começou a olhar ao redor, buscando algo que pudesse lhe dar respostas; a estrutura do templo parecia antiga, mas apesar de estar abandonada, não havia sinais de destruição completa. era como se o tempo tivesse sido misericordioso com aquele lugar… ou como se algo tivesse sido preservado. 

Ao caminhar lentamente até a entrada principal, seus olhos se fixaram em uma placa de madeira entalhada ao lado da porta. Seu coração bateu mais forte ao ler o nome gravado nela: "Liush Clifford" . Seus dedos deslizaram sobre as letras, sentindo a textura rústica da madeira. Seu nome estava ali, marcado como aquele lugar que tinha alguma ligação profunda com ele. Mas como? Ele sequer se lembrava de ter estado ali antes.


Com a mente cheia de perguntas, Liush avançou mais para dentro do templo,passou por corredores longos e silenciosos, examinando cada cômodo que encontrava, havia velhos bancos de pedra, tapeçarias desbotadas e símbolos esculpidos nas paredes que lembram contar uma história. 

Ele não pôde considerar as imagens completamente, mas sentiu que de alguma forma elas eram familiares, por fim, ele chegou a uma sala maior, onde várias estantes de madeira alinhavam as paredes. O local estava coberto por uma fina camada de poeira, mas, diferentemente do restante do templo, não parecia completamente abandonado. Liush se mudou de uma mesa no centro do cômodo e viu vários documentos espalhados sobre ela.

Seu peito abriu ao perceber que aqueles papéis continham informações sobre ele, seu nome foi escrito em diversos registros, alguns relatos antigos sobre sua existência. Mas o que mais chamou sua atenção foram as anotações feitas sobre pessoas que visitaram o templo no passado—pessoas que fizeram orações a ele .

— Isso não faz sentido… — sussurrou, pegando um dos documentos com as mãos trêmulas.   

Se aquelas escrituras são corretas, aquele templo não era apenas um lugar qualquer, era um local onde, em algum momento da história, Liush foi reverenciado como algo muito maior do que um simples viajante sem memória.

Liush sentiu a mente mergulhar em um turbilhão de dúvidas. Quem poderia saber tanto sobre mim? — Este lugar... todas essas informações..

O ambiente, as informações que surgiam... tudo parecia carregar um peso desconhecido. Sua mente foi tomada por flashes confusos, pedaços de lembranças espalhadas como cacos de vidro. Entre cenas de caos e sangue, uma imagem surgiu com clareza: Agatha.

O nome ressoou em sua mente como um eco distante. Seu coração acelerou, e um calafrio percorreu sua espinha. Surpreso, ele se pegou pensando:

— Espera... Agatha. Talvez seja isso, eu me recordo do momento em que eu fui teleportado... tinha pessoas em volta e ela estava comigo também.

Com uma voz firme e carregada de convicção, Liush bateu a mão contra a parede, como se quisesse reafirmar sua certeza. A esperança brilhava em seu olhar, tornando impossível duvidar do que dizia.

— Se alguém neste mundo sabe tanto sobre mim… só pode ser ela.

Mas, à medida que as palavras deixavam seus lábios, sua expressão mudou. A determinação deu lugar a uma sombra de preocupação. Seu olhar vagou pelo ambiente, perdido entre dúvidas e lembranças incertas.

— Agatha… onde você está? O que realmente aconteceu?...

Com o peso das dúvidas ainda pairando sobre sua mente, Liush tomou a decisão de voltar para a casa da família que o acolhera., a ideia de encontrar respostas sobre aquele templo o impulsionou, e ele sentia que precisava se afastar por um momento da confusão que dominava seus pensamentos.

Antes de sair, ele vasculhou o local cuidadosamente, reunindo todos os documentos que encontrou. Papéis desordenados, anotações que pareciam sem sentido, mas que, talvez, pudessem conter uma pista importante, seus dedos passaram rapidamente pelos papéis enquanto ele os empilhava, decidido a não deixar nenhum detalhe para trás. cada pedaço de informação poderia ser crucial.

Com a pilha de documentos nas mãos, ele respirou fundo e, sem hesitar, saiu pela porta. O céu estava mais claro do que nunca, mas a sensação de que algo estava à espreita continuava a segui-lo, ele precisava de respostas, e sabia que, se alguém pudesse ajudá-lo, seria aquela família que, de alguma forma, parecia saber mais do que ele imaginava.

Liush voltou à casa da família, seus passos hesitantes ecoando no caminho até a entrada. Assim que chegou, Ron, o pai da garota, o recebeu com um sorriso acolhedor. Ele estava com as mãos sujas de madeira e serragem, indicando que havia acabado de terminar um trabalho manual. Seu semblante estava calmo, mas havia uma expressão de satisfação no rosto, resultado do esforço no trabalho que acabara de concluir.

"Ah, você voltou!", disse Ron, com um tom de satisfação ao ver o jovem. "Entre, entre. Acabamos de preparar o almoço. Vai almoçar conosco?”

Liush, ainda um pouco hesitante com a situação, sentiu-se um pouco desconfortável, mas aceitou o convite. "Obrigado, mas... tem algo que eu queria perguntar," disse ele, enquanto seguia Ron para dentro da casa.

"É sobre o templo…Você sabe algo sobre ele?”

Ron olhou para Liush, um pouco surpreso com a pergunta, mas manteve seu semblante tranquilo e pensativo. Ele indicou uma cadeira próxima à mesa, gesticulando para que Liush se sentasse. "O templo? Bem, não é um lugar que muitos frequentam, mas sei algumas histórias antigas. Se quiser, posso te contar durante o almoço."

Liush se sentou, mas a curiosidade estava clara em seus olhos. Enquanto esperava a refeição, ele se perguntava o que mais Ron poderia saber sobre o templo e por que parecia haver tanto segredo ao redor desse lugar.

O ambiente estava tranquilo e acolhedor enquanto Liush e Ron conversavam na mesa de jantar. Maria, a esposa de Ron, e Ana, a filha, trouxeram o almoço. O aroma de comida caseira preenchia a casa, e as duas mulheres se moviam com naturalidade, servindo o prato de forma calorosa, como se já fossem familiares. Liush estava começando a se sentir mais à vontade, mas sua curiosidade sobre o templo ainda o mantinha atento ao que estava por vir.

Enquanto ele e Ron conversavam, Maria se aproximou, sentando-se à mesa com um sorriso suave no rosto. Ao ouvir o nome do templo, ela fez uma pausa, como se rememorasse um tempo distante. "Aquele templo... já foi um lugar lindo", disse ela, com nostalgia na voz. —   "A linda jovem que administrava aquele lugar também era muito bonita, parecia uma deusa. muitos iam lá não só pela beleza do templo, mas pela gentileza dela,  ela cativava todos com seu sorriso e sua dedicação., as pessoas ajudavam ela com o templo, queriam sempre fazer algo por ela."

Ron, que estava absorto em seus próprios pensamentos enquanto comia, interrompeu com um olhar distante. "Eu me lembro... Ajudei aquela jovem a construir o templo. Era para uma divindade... qual era mesmo o nome?" Ele ficou pensativo, tentando se lembrar. Liush observava atentamente, esperando que Ron se recordasse. "Ah, sim! Liush Clifford!" exclamou Ron, com um brilho nos olhos, como se fosse um detalhe importante. "Eu mesmo entalhei o nome em uma madeira para aquela jovem. ela ficou tão feliz na época, parecia que tinha alcançado algo muito importante."

Enquanto a conversa fluía, Ana, a filha de Ron e Maria, que estava quieta até então, interrompeu com um olhar suave e um tom de lembrança. "Eu lembro dela... Seu nome era Agatha", disse ela, sorrindo de forma nostálgica. "Ela era muito gentil. conversamos algumas vezes. ela me disse que estava esperando pelo seu amigo, mas ele nunca apareceu. Ela ficava triste, mas ainda assim tentava manter o templo funcionando, como se esperasse algo que nunca chegaria."

Liush sentiu uma pontada no coração, como se aquela história tocasse algo dentro dele. Ele observava Ana, que parecia tão conectada com a memória de Agatha. "Ela então conheceu uma pessoa... e partiu da cidade. Desde então, o templo ficou abandonado", continuou Ana. "Isso já faz o quê, um ano, né, mãe?"

Maria, que estava quieta, acenou com a cabeça em confirmação. "Sim, já faz um ano que o templo está abandonado", respondeu ela com um suspiro. "Coitada... Seu amigo nunca voltou. Ela deve ter ficado triste. Se tivesse alguém para acompanhá-la... talvez o templo ainda estivesse de pé."

O silêncio tomou conta da mesa por um momento, enquanto todos pareciam refletir sobre as palavras de Maria.

"Acho que não podemos mudar o que aconteceu", disse Ron, quebrando o silêncio, "mas ainda há quem lembre da Agatha e do templo. A história dela não vai desaparecer." Ele sorriu levemente, como se tentasse confortar a todos.

Após o almoço, Liush e Ana passaram a tarde analisando cuidadosamente os documentos que ele trouxera do templo, procurando qualquer pista que pudesse esclarecer seu propósito ali.

Os primeiros documentos que analisaram eram registros comuns: listas com a quantidade de visitantes que passaram pelo templo ao longo dos anos, relatórios financeiros detalhando os custos da construção, anotações sobre manutenções realizadas. Nada que indicasse algo fora do comum.

O trabalho era meticuloso, mas nada parecia se destacar… até que Liush pegou um documento diferente dos demais.

O papel, amarelado pelo tempo, era uma carta. Ao abrir, seus olhos percorreram as primeiras palavras, e ele sentiu um aperto no peito ao ler seu próprio nome.

"Querido Liush,

Se você um dia encontrar esta carta, saiba que ela foi escrita com a esperança de que, de alguma forma, nossas almas ainda podem se tocar…"


A voz de Agatha parecia sussurrar através das palavras, trazendo memórias fragmentadas e uma melancolia inexplicável. A carta descreve sua chegada a Zintria, especificamente ao bairro Antyros, e o sentimento de estranheza que a envolve ao caminhar por suas ruas antigas. O contraste entre a tradição e a tecnologia da cidade a deixara inquieta, deslocada.

Ela construiu um templo ali, esperando—esperando por Liush. Mas o tempo passou, e a espera se tornou um fardo. No fim, ela partiu sem olhar para trás, sem saber se algum dia ele chegaria. Seu destino a levou para outro lugar, Clã Yaraheim..

A cada frase lida, Ele pôde visualizar Antyros pelos olhos de Agatha, sentir a estranheza que ela descrevia, o conflito entre tradição e modernidade. E, acima de tudo, a solidão de alguém que havia depositado toda sua esperança em um encontro que nunca aconteceu.

Ana, percebendo o súbito silêncio e a expressão distante de Liush, inclinou-se levemente.

— O que foi? Encontrou alguma coisa importante?

Mas ele não respondeu imediatamente. Seu olhar permanece fixo nas últimas palavras. "Onde você também talvez precise estar, quando for o momento certo."


Um Ano Atrás — Bairro Antyros, Zintria

Agatha acabou de chegar a Zintria, especificamente no bairro Antyros, um local onde o passado ainda resistia ao avanço tecnológico desenvolvido da cidade. As ruas eram estreitas e repletas de estabelecimentos com fachadas antigas, contrastando com os enormes arranhões da região dos Techris.

Um jovem rapaz, de aparência descontraída e um sorriso gentil no rosto, observou Agatha por um momento, atraído claramente por sua beleza e pelo ar misterioso que ela emanava.

com passos firmes e uma postura tranquila se aproximou, — Você está bem? — ele disse, inclinando a cabeça levemente enquanto a observava com atenção. Agatha parecia estar em um estado de confusão, ainda se recuperando dos efeitos da viagem temporal.

Agatha piscou algumas vezes, ainda sentindo a leve confusão causada pela viagem temporal. Tudo ao redor parecia um mosaico de culturas misturadas

Onde estou? Que lugar é esse?

o rapaz então respondeu, enquanto cruzava os braços — Você está em Antyros — É a parte tradicional de Zintria, uma cidade que mantém o estilo de vida da época antiga.

Agatha franziu a testa, tentando processar a informação. O nome não lhe dizia nada, e seu cansaço apenas tornava tudo ainda mais difícil de entender.

E... que época é essa? — arriscou perguntar, sua voz um pouco hesitante.

O rapaz caiu uma sobrancelha, intrigado.

— Estamos no ano 6500 dC Você não sabia?

Agatha olhou para o jovem e, com uma voz que tentava disfarçar sua desorientação, fez uma pergunta que ecoava sua total perda de contexto:

O estômago de Agatha se revirou. As palavras ecoaram em sua mente, e o peso da realidade caiu sobre ela de uma vez. 6500 DC?

Ela sentiu um arrepio subir por sua espinha. Não estava apenas em um lugar desconhecido – estava em um tempo completamente diferente.

— se precisa de ajuda, posso te mostrar a cidade. Sou Ezra, e você?

Agatha olhou para ele, sentindo pela primeira vez desde que chegou uma sensação leve de colapso.

— Ágata.

Ezra balançou a cabeça.

— Então, Agatha, acho que o melhor lugar para começar é encontrarmos um lugar para você descansar. Venha, conheço uma boa pousada.

Agatha, após três meses de adaptação à nova cidade e já estabelecida com um emprego local, começou a sentir a ausência de Liush Clifford com mais intensidade. Sua busca por ele nas ruas e nas tabernas da cidade, no entanto, não trouxe resultados. Ninguém parecia conhecer o nome dele ou ter qualquer gravação. Foi então que Agatha teve uma ideia ousada, algo que poderia juntar sua dor com uma centelha de esperança: construir um templo dedicado a Liush.

Ela acreditava que talvez, se ele ainda não tivesse chegado a essa época, o templo pudesse servir como um farol, algo que a guiaria de volta. E, se por acaso ele já esteve por ali, ao encontrar aquele templo, ele talvez regularmentesse o nome e a conexão. A ideia era simples, mas cheia de fé.

Com o passar dos meses, Agatha começou a construir o templo. A tarefa era árdua, exigindo esforço físico e emocional, mas ela estava determinada. Passava dias inteiros trabalhando, moldando os pilares, criando uma arquitetura com o propósito de reflexão a essência de Liush. Ela queria que o templo fosse acolhedor, mas imponente, algo que representasse o amigo que ainda carregava nas lembranças e nos sonhos.

Ao longo de seis meses, o templo foi tomando forma e se tornando um ponto de visitação popular. Logo, turistas e moradores da cidade foram visitar o templo, e muitos ficaram curiosos sobre a figura misteriosa de Liush Clifford. Eles passaram a depositar suas opiniões sobre a "divindade" que Agatha havia consagrado, sem saber que, para ela, ele era muito mais que uma simples figura mística. Para Agatha, Liush era um amigo perdido, um pedaço de seu passado que ela ainda acreditava estar ao alcance.

Apesar de toda a popularidade e do movimento crescente ao redor do templo, Agatha mantém sua esperança firme. Ela acreditava que, em algum momento, Liush chegaria. Mas, com o tempo passando sem sinais dele, sua esperança começou a ser misturada com uma tristeza crescente. Ela começou a se perguntar se talvez ele não viesse, se talvez o tempo tivesse sido reservado para sempre as possibilidades de seu encontro com o amigo. No entanto, enquanto o templo fosse sua única conexão com Liush, ela se recusava a desistir.

Em uma noite, Agatha ficou sozinha no templo, como sempre fazia, limpando e cuidando de cada canto com carinho. O vento frio da noite cortava levemente a pele, e o céu, completamente estrelado, parecia profundo e misterioso. Agatha permitiu um momento de reflexão enquanto varria no pátio. Seus pensamentos estavam em Liush, como sempre. Ela olhou para as estrelas, imaginando onde ele poderia estar. Será que ele ainda estava perdido no tempo? Ou seria possível que ele estivesse apenas esperando ser encontrado?

Mas, enquanto ela se perdia em pensamentos, algo peculiar aconteceu. Uma neblina espessa e densa começou a se formar, cobrindo o pátio lentamente. O ar se tornou mais frio, e Agatha sentiu uma onda de desconforto. As estrelas no céu simplesmente se ofuscaram, e o ambiente ficou estranho, como se o tempo estivesse desacelerando. O vento cessou, e tudo ficou silencioso, exceto pela neblina que se movia de maneira quase sobrenatural.

De repente, uma sombra se moveu entre a névoa. Agatha congelou, seu corpo tenso, seus instintos se alertando. A silhueta parecia flutuar, mas se deslocava com uma rapidez assustadora. O medo se apoderou dela instantaneamente, mas ao mesmo tempo, algo profundo dentro dela ativou um instinto que ela aprendeu com Liush.

Com a vassoura ainda em mãos, Agatha assumiu a postura de defesa que Liush lhe ensinou, tal como ele a havia instruído nas vezes em que os dois treinaram juntos, lembrando-se de cada movimento, de cada dica. seus pés se posicionaram firmemente no chão, e ela posicionou a vassoura à frente de seu corpo, como se fosse uma espada, pronta para se proteger de qualquer ameaça.

O vulto que passou por Agatha, como uma sombra silenciosa na neblina, fez uma pausa, observando-a com atenção. A jovem, ainda em posição de defesa, com a vassoura firmemente nas mãos, sentindo um arrepio percorrendo sua espinha. A presença parecia diferente, mais... etérea, como se o próprio tempo ao redor tivesse se distorcido. 

Então, uma voz feminina suave, quase sussurrante, ecoou pelo pátio, quebrando o silêncio pesado da noite. "Não tenha medo, criança. Eu sei que você não pertence a esse tempo." A voz era doce, mas transmitida de uma sabedoria distante e misteriosa, como se viesse de um lugar muito além do alcance de Agatha.

A surpresa tomou conta de Agatha, mas ela não hesitou em responder, sua voz firme apesar da dúvida que se formou em seu peito: "Quem é você e o que você quer?" O medo ainda estava presente, mas ela se manteve em pé, pronta para tudo.

A resposta veio novamente, mais clara agora, mas com um tom enigmático. "Venho lhe fazer um convite. Seu amigo não está aqui, ainda não. Mas, se quiser encontrá-lo, aceite meu convite. Venha para o Clã Yaraheim. daqui há um mes haverá alguém esperando por você no mesmo local em que você chegou a este tempo. Até la criança..." A voz deu uma leve risada, que ressoou por todo o pátio, como um eco misterioso que se estendeu pela neblina, fazendo-a se dissipar lentamente.

Agatha, ainda sem entender completamente a mensagem, se apressou em perguntar, sua mente agora cheia de perguntas. "Espera, como você sabe sobre ele e onde ele está?" Mas, antes que pudesse obter uma resposta, o vulto desapareceu como uma névoa no vento, deixando Agatha sozinha novamente no pátio, com a neblina já se dissipando por completo, como se nada tivesse acontecido.

O silêncio voltou a reinar, mas a sensação de que algo grandioso e desconhecido se entregou a sua volta aconteceu. Agatha sentiu a tensão aumentar, seu coração batendo forte em seu peito. O convite do Clã Yaraheim parecia ser uma oportunidade, mas ela não sabia o que esperar.

Passou-se um mês, e o vazio ficou pela ausência de Liush ainda preenchia cada canto do templo. Agatha mantinha a esperança viva, mas o silêncio persistia, e com o tempo, sua decisão se tornava cada vez mais clara. Aceitar o convite da voz secreta, que ofereceu a possibilidade de encontrar seu amigo, parecia ser a única chance de seguir em frente. A espera, embora longa, parecia não ter mais sentido sem um boato concreto, e talvez o Clã Yaraheim fosse a chave para entender o que realmente aconteceu com Liush.

Naquela noite, Agatha preparou-se para partir, ela arrumou o templo, cuidando para deixar tudo em ordem. Sua mente estava focada em uma única missão: encontrar Liush. Ela escreveu uma carta com palavras cheias de saudade e esperança, explicando tudo o que havia acontecido e o que ela estava prestes a fazer. Ela a deixou sobre o altar, com a certeza de que ele entenderia, onde quer que estivesse.

Pegando suas coisas, Agatha fez a última inspeção no templo, respirando fundo antes de dar o passo que mudaria sua jornada. Sem olhar para trás, ela saiu, fechando a porta lentamente, sentindo um peso no peito, mas também uma determinação crescente. A caminhada foi silenciosa, seus passos firmes, até que chegou à rua onde, nove meses antes, ela havia chegado naquele lugar estranho e novo. Agora, essa rua parecia tão familiar quanto um lar, e, com um suspiro, ela se preparou para partir em uma nova aventura.

No final da rua, uma figura misteriosa a aguardava. Era uma elfa de cabelos longos e vermelhos como o fogo, com olhos vibrantes como rubi, que brilhavam com uma intensidade sobrenatural. Seu sorriso era caloroso e cheio de confiança. "Oi, meu nome é Fênix. Então, está pronta? Podemos ir?" A voz de Fênix era tão suave, mas com um tom de urgência, como se a viagem que as aguardava fosse algo importante, algo que não pudesse ser adiado.


Agatha hesitou por um momento, o medo e a incerteza ainda rondando seus pensamentos, mas a determinação de encontrar Liush falou mais alto. Com um suspiro profundo, ela pegou a mão de Fênix, sentindo uma energia pulsante e misteriosa envolvendo os dois. Num piscar de olhos, elas desapareceram, deixando para trás a rua, o templo e tudo o que Agatha conhecia...


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  1. Cada capítulo tem um mistério diferente. Estou amando, simplesmente. Isso deixa a história ainda mais interessante e desconhecida, quando você acha que é uma coisa, vem ainda mais surpresas, podendo até não ser o que estávamos pensando ao ler.

    Este capítulo foi uma mistura de "Espero que eles se encontrem", com "A voz misteriosa sabe de algo? E o que ela queria com a Ágata?".

    Não vejo a hora de saber como será que Liush e a Ágata se conheceram e o que aconteceu para eles se separarem assim?.

    Ps: vou começar a comentar aqui também, além de comentar no noveltoon. comentar como leitora. ^^

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  2. Eita muié complicada de encontrar essa Agatha

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