Ana franziu a testa por um instante ao ouvir a pergunta de Liush. O nome "Yaraheim" despertava uma vaga lembrança em sua mente, como se já o tivesse escutado antes. — Clã Yaraheim?
Acho que já ouvi esse nome em algum lugar… Espere aqui, já volto. Sem esperar resposta, Ana se levantou e saiu da cozinha, deixando Liush sozinho com os documentos. Seus passos apressados ecoaram pela casa enquanto subia as escadas em direção ao seu quarto. Assim que entrou, dirigiu-se a uma prateleira de madeira repleta de livros antigos.
Com um olhar atento, percorreu os títulos até encontrar o que procurava: um livro grosso e envelhecido, cujas páginas guardavam contos e lendas antigas. Com o livro firme em mãos, ela retornou à cozinha e o colocou sobre a mesa diante de Liush. Seus dedos ágeis começaram a folhear as páginas amareladas até que parou em um capítulo específico.
— Aqui está — disse, apontando para o título da seção. Liush inclinou-se levemente para ler as primeiras palavras. O texto narrava a lenda do Clã Yaraheim, um grupo ancestral cujo propósito era proteger e preservar a natureza.De acordo com a história, o clã possuía uma guardiã lendária, uma elfa cuja beleza era quase mística. Alguns relatos diziam que ela tinha olhos azuis e longos cabelos brancos como a neve, enquanto outros afirmavam que seus fios brilhavam como ouro sob a luz do sol.
Ana continuou dizendo: — É uma lenda antiga… Meus avós costumavam me contar sobre isso quando eu era menina. Diziam que, na época deles, as florestas eram exuberantes, e os rios transbordavam vida. Ela pausou por um instante, relembrando as histórias que ouvira tantas vezes na infância. — O bisavô do meu avô contava que uma das filhas dele certa vez encontrou uma dessas elfas. Essa raça é rara… Muitos acreditam que eles foram extintos, mas há quem diga que ainda existe um pequeno grupo vivendo nas profundezas das florestas. Eles se movem como o vento rápidos e sutis, quase imperceptíveis. Só aparecem para aqueles cujo coração é puro e verdadeiro.
Ela suspirou, apoiando o queixo sobre as mãos enquanto fitava as ilustrações do livro.
— Eu gostaria de conhecer uma elfa. De acordo com as imagens, elas parecem ser incrivelmente belas…
Liush sorrir observando a empolgação de Ana.
—Talvez você veja um dia. Pode ser difícil mas, não é impossivel, certo?
Liush fecha os olhos por um momento revendo todas as informações que adquiriu e se perde em pensamentos:
Ele refletiu sobre o significado dessas palavras, tentando traçar uma conexão entre elas e o que buscava. Após alguns instantes de silêncio, abriu os olhos e voltou sua atenção para Ana, quebrando a pausa com uma pergunta direta:
Liush : “Ana, você saberia me dizer onde fica essa floresta, ou se ha algum relato mais recente sobre grupo de Elfos do clã Yaraheim?”
Ana fez uma expressão pensativa antes de responder: — Só sei o que está no livro. Talvez, se você for até a floresta, encontre alguma pista... Por um momento, ela parecia prestes a encerrar o assunto, mas então algo lhe veio à mente. Seus olhos brilharam com a lembrança de um boato curioso.
— Ah! Lembrei de uma coisa! — disse ela, animada. — Em fevereiro, no dia da comemoração do Victory Day, aconteceu algo estranho na floresta. Um casal estava passeando por lá naquela noite e disseram ter visto uma luz forte vindo da mata. Eles ficaram curiosos e se aproximaram um pouco, mas aí viram algo...
— Ana fez uma pausa, como se quisesse enfatizar a revelação. — Uma mulher, de cabelos longos e pretos, usando roupas estranhas. Ela segurava uma luz em suas mãos! Ana fez uma expressão de quem ainda não sabia bem como interpretar aquilo. — O casal ficou assustado. Achou que podia ser uma aparição... talvez um demônio ou uma divindade. Mas eles não ficaram para descobrir e voltaram correndo para a cidade.
-Liush permaneceu em silêncio por alguns instantes após ouvir as palavras de Ana. Lentamente, levou a mão direita até o queixo, fechando os olhos enquanto sua expressão se tornava séria, marcada por uma profunda reflexão. Sua mente trabalhava rapidamente, conectando os fatos e ponderando sobre os riscos.
— …Pensei em ir para a floresta durante o dia, mas todos os fatos indicam que esses eventos acontecem à noite— murmurou, quase para si mesmo. — Com certeza, à noite seria mais fácil perceber essas coisas… brilhos estranhos, vultos…
Ele fez uma breve pausa, apertando levemente o queixo entre os dedos, antes de continuar:
— Hmm… e essa tal mulher de cabelos longos e pretos… não posso ignorar isso. Se realmente for um demônio ou uma divindade, pouco importa. Não há diferença entre os dois quando ambos estão mal-intencionados
Liush suspirou, sentindo o peso da situação recair sobre ele.
continuou. — Isso seria algo muito ruim para a cidade , com sua voz carregada de preocupação . — Mas minha maior preocupação… é que algo aconteça com Ana e sua família.
conforme os segundos passavam, sua expressão começou a mudar. O que antes era um semblante tranquilo e reflexivo, aos poucos, deu lugar a uma preocupação crescente. Suas sobrancelhas se franziram levemente, e uma tensão sutil surgiu em seus lábios
Ana, observando a mudança gradual em sua expressão, sentiu um aperto no peito. Algo o estava preocupando. Sem hesitar, chamou por seu nome, sua voz soando suave, mas preocupada:
— Liush...?
Ao ouvir seu nome, Liush arregalou os olhos e piscou rapidamente, como se tivesse sido puxado de volta à realidade. seu olhar encontrou o de Ana, que o encarava com uma mistura de curiosidade e preocupação.
Meio sem jeito, desviou levemente o olhar antes de responder:
— Ah… Ana… Eu só estava... pensando.
— Desculpa, acho que me perdi em pensamentos novamente — disse Liush, soltando um leve suspiro enquanto tentava relaxar sua expressão.
No entanto, esse momento de alívio durou pouco. De repente, seu olhar se tornou sério, seus olhos fixos em um ponto distante, como se tivesse tomado uma decisão inadiável.
Liush: "...acho que chegou a hora de partir. Não posso ignorar isso. Pode ser um perigo para você Ana, e sua família... Além disso, pode ter pistas sobre a Agatha….
Com firmeza ele expressou dizendo — Então, está decidido., irei partir para a floresta ao anoitecer."
Seus pensamentos se alinharam como peças de um quebra-cabeça. Ele não poderia ignorar os estranhos acontecimentos na floresta, não quando isso representava um possível perigo para Ana e sua família. Além disso, a mera possibilidade de encontrar pistas sobre Agatha era algo que ele não podia deixar escapar.
Ana sorriu suavemente, tentando transmitir tranquilidade apesar da preocupação evidente em seus olhos.
— Eu entendo — disse em um tom sereno. — Eu e minha família vamos ficar bem, não se preocupe.
Ela fez uma breve pausa, observando a expressão séria de Liush antes de continuar.
— Antes de você partir, leve consigo um pouco de dinheiro para sua viagem… e um pouco de comida.
Ana então estendeu um pequeno saco de couro para ele. O peso do objeto indicava que havia uma quantia considerável dentro.
— Aqui, 50 moedas de bronze e 10 de prata. Pode não ser muito, mas será útil.
Liush pegou o saco com um olhar grato, segurando-o com ambas as mãos antes de erguer os olhos para Ana.
— Obrigado, Ana. Eu realmente aprecio isso — disse ele, inclinando levemente a cabeça em sinal de respeito e agradecimento.
Ana sorriu e, sem perder tempo, ela caminhou até uma estante de madeira no canto do cômodo. Com cuidado, retirou um pergaminho dobrado e voltou para perto de Liush, entregando-o em suas mãos.
— Se a sua jornada acabar te levando para o outro lado da cidade, tome cuidado — alertou, seu tom ficando um pouco mais sério. — Lá há muitas tecnologias… pode ser confuso se você não estiver acostumado.
— Este é um mapa. Mostra a cidade de Techris e alguns dos pontos mais baratos para viajantes, como pousadas, comércios de roupas e bancos. Isso pode te ajudar a evitar problemas.
Liush pegou o mapa e o desdobrou brevemente, analisando os detalhes antes de guardá-lo com cuidado.
— Isso vai ser muito útil. Obrigado mais uma vez, Ana.
Após agradecer, Liush ergueu o olhar para Ana, sua expressão ainda carregada de seriedade, mas agora misturada com uma leve melancolia.
— Ana, desde que cheguei aqui, não me lembro de quase nada sobre mim… — começou ele, sua voz soando reflexiva. — Apenas alguns fragmentos de memória… e o nome Agatha.
Ele fez uma breve pausa, seus olhos fixos no chão como se tentasse buscar mais alguma lembrança perdida.
— E por algum motivo, eu tenho certeza de que ela é a Agatha que procuro.
Liush levantou a cabeça, encarando Ana com um olhar firme.
— Pelo que vocês dizem… ela esperou muito por mim.
Um pequeno sorriso surgiu em seus lábios, e ele ergueu a mão suavemente, pousando-a sobre a cabeça de Ana em um gesto gentil.
— Então, seria ruim deixá-la esperando ainda mais, não acha?
Ana piscou algumas vezes, surpresa, mas logo abriu um pequeno sorriso.
Liush então riu de leve e, assumindo um tom descontraído, acrescentou:
— E quanto à floresta, você não precisa se preocupar. Prometo que, se eu encontrar uma elfa bonita por lá, pedirei para que venha te visitar. Assim, você poderá vê-la e, quem sabe, até se tornar amiga de uma elfa incrivelmente bela.
O comentário arrancou uma risada tímida de Ana, que balançou a cabeça, divertida.
Por um instante, Ana sentiu uma mistura de tristeza e admiração por sua determinação. Mesmo sem memórias, ele estava disposto a seguir em frente, a buscar respostas, a reencontrar alguém importante para ele.
Liush riu baixinho, em seguida, voltou a olhar para Ana com um semblante sincero.
— Obrigado, Ana. Se não fosse você e seus pais, eu provavelmente ainda estaria perdido por aí, sem nenhuma pista sobre a Agatha.
Ele suspirou levemente antes de continuar.
— Mesmo sem saber quem eu era, você insistiu em cuidar de mim… e por isso, eu realmente estou em dívida com você.
Havia gratidão em sua voz, mas também um toque de carinho genuíno. Ele então desviou o olhar para a porta e perguntou:
— Mas enfim… onde estão seus pais? Gostaria de me despedir deles antes de escurecer.
Ana sorriu suavemente e respondeu de imediato:
— Eles devem estar na sala.
Sem demora, os dois caminharam juntos até a sala. Ao chegarem, encontraram Maria e Ron imersos em seus afazeres. Maria estava sentada confortavelmente em uma cadeira de madeira, concentrada em seus bordados, suas mãos ágeis costurando delicadamente os fios sobre o tecido. Ao lado dela, Ron trabalhava com igual dedicação, esculpindo um pequeno pássaro em um bloco de madeira.
O ambiente era tranquilo, acolhedor. Ele então respirou fundo e deu um passo à frente, chamando a atenção do casal.
— Maria, Ron… eu queria falar com vocês.
Então, Liush contou sobre o que descobriu nos documentos, explicando de forma resumida que havia encontrado pistas sobre Agatha e que, por isso, partiria naquela mesma noite em busca de mais respostas.
Maria e Ron interromperam momentaneamente seus afazeres, erguendo os olhos para Liush com expressões de surpresa e preocupação. Maria pousou sua agulha sobre o tecido e apoiou as mãos no colo, enquanto Ron parou de talhar o pequeno pássaro e respirou fundo, observando o jovem com um olhar ponderado.
— Então você decidiu partir… — Maria disse suavemente, como se já esperasse por isso, mas ainda assim relutasse em aceitar a ideia.
Ron cruzou os braços, analisando Liush por um instante antes de falar:
— Imagino que nada do que dissermos fará você mudar de ideia, não é?
Liush sorriu levemente e balançou a cabeça.
— Eu agradeço muito por tudo que fizeram por mim, mas… eu não posso ignorar isso. Se existe uma chance de encontrar Agatha e descobrir mais sobre mim mesmo, então eu preciso seguir esse caminho.
Maria suspirou, trocando um olhar com o marido, antes de se levantar e caminhar até Liush. Ela colocou a mão suavemente sobre seu ombro e sorriu de maneira gentil.
— Sabíamos que esse momento chegaria… Mas ainda assim, queremos que saiba que esta casa sempre será um lar para você.
Ron assentiu, levantando-se também.
— Você é um bom rapaz, Liush. Só prometa que tomará cuidado. Há perigos à noite, principalmente na floresta.
Liush assentiu com firmeza.
— Eu prometo.
Maria então se virou e pegou um pequeno embrulho de pano sobre a mesa.
— Aqui… é um pouco de pão e carne seca. Sei que Ana já te deu comida, mas nunca se sabe quando precisará de mais.
— Obrigado… por tudo.
O silêncio que se seguiu foi carregado de emoções não ditas. Maria e Ron o observavam como se estivessem se despedindo de um filho, enquanto Ana, parada ao lado, parecia conter sua preocupação.
Por fim, Ron estendeu a mão para um aperto firme.
— Boa sorte, garoto.
Liush apertou a mão do homem com determinação.
A noite finalmente chegou, envolvendo a vila em um manto de escuridão iluminado apenas pela luz suave da lua e das lamparinas espalhadas pelas casas. O vento frio soprava suavemente, balançando as folhas das árvores e trazendo consigo a sensação de um novo ciclo prestes a começar.
Liush estava diante da casa que o acolheu, a mochila bem ajustada às costas, pronto para partir. Seu olhar percorria cada detalhe daquele lugar que, mesmo por um curto período, tornou-se um lar para ele. Maria e Ron estavam parados na soleira da porta, observando-o com expressões que misturavam orgulho e preocupação, enquanto Ana permanecia um pouco mais à frente, próxima a ele.
Antes de dar o primeiro passo para sua jornada, Liush virou-se e sorriu de maneira grata.
— Obrigado por tudo. Nunca esquecerei o que fizeram por mim.
Maria apenas assentiu, levando uma mão ao peito, emocionada, enquanto Ron cruzava os braços e dava um leve aceno de cabeça, como se dissesse silenciosamente para ele seguir seu caminho com força e coragem.
No entanto, quando os olhos de Ana encontraram os de Liush, algo estranho aconteceu. Uma sensação indescritível tomou conta do ambiente, como se uma força invisível se espalhasse ao redor deles. O ar parecia mais denso, carregado de uma energia sobrenatural. O coração de Ana disparou, e por um instante, sua visão se tornou mais clara, como se algo dentro dela despertasse.
Foi então que ela compreendeu.
Os fragmentos de histórias contadas desde sua infância, os murmúrios sobre a divindade para quem Agatha havia construído o templo… tudo fazia sentido agora. Liush não era apenas um viajante sem memória. Ele era a divindade esquecida, aquela que Agatha esperou por tanto tempo.
Ana sentiu um arrepio percorrer sua espinha, mas, ao invés de demonstrar surpresa ou medo, simplesmente sorriu. Seu coração estava tranquilo, pois, de alguma forma, soube que aquele momento chegariaCom um gesto delicado, ela ergueu a mão e acenou para ele.
— Eu cuidarei do templo até que você volte para nos visitar.
As palavras de Ana ecoaram na mente de Liush, deixando-o momentaneamente sem reação. Mas então, sem precisar de mais explicações, ele entendeu que aquela despedida era mais do que um simples adeus.
Ele sorriu para Ana uma última vez antes de virar-se e partir, sua silhueta se misturando à escuridão da noite.
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Que capítulo bom, teve o memento que me deixou curiosa (sobre o Clã Yaraheim). Espero poder ver mais sobre esse clã, e saber mais sobre a elfa guardiã. ^^
ResponderExcluirAi teve os momentos de interação que foram muito fofos, os pais da Ana praticamente adotaram o Liush. E a amizade que ele fez com a Ana, achei linda.
A despedida deles.. Espero que se encontrem novamente e que alguma Elfa vá visitar a Ana. (Uma fofa ela).
A ficha da Ana caindo no final kssksksks, uma graça a lerdeza dela juntando os pontos, e ambém, uma otima amiga ela dizendo que ira cuidar do templo. (Fofa 2).
O que será que Liush encontrará em seu caminho, será que agora ele encontra a Aghata?? E a memória vai voltar durante essa jornada dele?? Curiosa estou.