Com os olhos curiosos de Lua a brilhar, e a empolgação de July, as duas avançaram pelas ruas iluminadas de Zintria. O movimento ao redor era frenético, mas ao mesmo tempo fascinante, com as luzes e sons da cidade criando uma atmosfera única.
Quando chegaram ao HoloLens, uma das lojas mais famosas do Distrito Comercial, July puxou Lua pela mão, empolgada.
— Aqui é o lugar! — disse July, com um sorriso animado.
Lua olhou para a fachada da loja, que exibia um holograma de lentes futuristas flutuando no ar. A entrada era cercada por hologramas que exibiam imagens de mundos imersivos e visões distorcidas de realidades alternativas.
As portas se abriram automaticamente, e as duas entraram em um ambiente sofisticado, onde as prateleiras estavam repletas de lentes e óculos tecnologicamente avançados. No centro da loja, um androide de aparência impecável se aproximou. Ele tinha uma estrutura metálica e elegante, com olhos brilhantes que pareciam analisar tudo ao seu redor.
— Bem-vindas à HoloLens! — disse o androide com uma voz suave e educada. Seu tom era gentil, mas carregava uma precisão artificial. Seus olhos brilhavam levemente enquanto ele fazia um gesto cortês.
— Eu sou James, como posso ajudá-las hoje?
Lua franziu a testa e olhou ao redor, sentindo-se perdida. As luzes piscavam em painéis suspensos no ar, telas translúcidas giravam mostrando imagens e textos, enquanto figuras holográficas andavam entre os clientes. Tudo parecia irreal.
— Que lugar estranho... — murmurou Lua, dando um passo hesitante. — Tem tanta coisa piscando e… flutuando! E não é por magia?
July riu baixinho e tocou de leve o ombro de Lua, como quem tranquiliza alguém diante de uma novidade assustadora.
— Não, é tudo tecnologia, Lua. — explicou com um olhar divertido. — Essas são lentes cibernéticas. dá pra ver o mundo de outro jeito, com mais detalhes.
Lua olhou para os brilhos sutis das lentes e piscou algumas vezes, ainda um pouco desconfiada. Com um sorriso brincalhão, comentou:
— Isso não vai explodir a qualquer momento, né? Tipo, quando eu estiver usando? — Ela riu, levando a mão ao rosto como se quisesse testar a firmeza das lentes.
July riu junto, balançando a cabeça.
— Não, Lua. Elas são seguras!
Lua logo retomou um tom mais curioso, ajeitando a postura.
— Brincadeiras à parte, ainda tenho umas dúvidas. Eu gostaria de saber mais sobre as Lentes. — Ela inclinou levemente a cabeça. — Só ouvi dizer que elas substituem os óculos. Eu conheço feitiços que fazem isso, mas não me ajudam a ficar muito tempo sem meus óculos. Então… o que mais essas lentes fazem?
James, o androide, inclinou ligeiramente a cabeça, sua expressão neutra, mas sua voz educada e clara ao responder:
— As Lentes de última geração são dispositivos altamente tecnológicos projetados para aprimorar a visão humana de diversas formas. Além de substituir os óculos convencionais, elas protegem os olhos contra raios ultravioleta e luzes nocivas.
Ele pausou por um segundo antes de continuar:
— Algumas lentes possuem a capacidade de ampliação, permitindo que o usuário enxergue a quilômetros de distância, semelhante à visão de uma águia. Outras proporcionam visão noturna, como a de uma coruja, permitindo clareza total em ambientes escuros.
Lua piscou, impressionada, enquanto James prosseguia:
— Há também lentes que concedem visão especializada, como a de um camarão-louva-a-deus, capaz de detectar distorções de imagem e identificar padrões ocultos no ambiente. Essas funcionalidades são extremamente úteis para detecção de ilusões ópticas, hologramas e até mesmo anomalias energéticas.
Lua abriu a boca, claramente fascinada.
— Uau… Isso é como magia, só que sem magia!
July sorriu e cruzou os braços.
— Bem-vinda ao futuro, Lua.
Lua olhava ao redor, fascinada com a tecnologia da loja. O ambiente brilhava com telas holográficas exibindo as funções avançadas das lentes. Após ouvir a explicação inicial, ela virou-se para o atendente, James, com uma expressão curiosa.
Lua: — Incrível esta loja. — Ela sorriu, voltando a atenção para o atendente. — Sobre as opções, podemos ter todas essas capacidades em uma só lente? E me perdoe, mas tenho algumas outras perguntas.
Ela respirou fundo antes de continuar.
Lua: — A lente dura por quanto tempo? Ela precisa de manutenção? Pergunto, pois meus óculos precisavam de manutenções recorrentes, seja nas lentes ou por ele ter quebrado todo… durante uma batalha. — Soltou um pequeno suspiro de frustração, lembrando das inúmeras vezes que precisou consertar seus óculos. — E as lentes precisam ser retiradas para dormir, como os óculos?
O androide, identificado como James, respondeu com um tom calmo e programado para ser acolhedor
James: — Senhorita, nossas lentes não precisam de manutenção. A tecnologia de micro robôs de última geração garante uma duração de 10 anos sem necessidade de remoção. Pode ficar tranquila, é possível dormir com elas sem nenhum problema.
Ele fez um gesto em direção às telas holográficas que exibiam detalhes das lentes.
James: — Muitos clientes que usavam óculos vieram até nós em busca de uma solução mais duradoura. Desenvolvemos essa tecnologia pensando justamente nisso. Ela é mais segura e convencional do que uma cirurgia na retina ocular.
Lua assentiu, absorvendo as informações. No entanto, sua expressão curiosa retornou ao ouvir a próxima resposta.
— No entanto, não é possível combinar todas as funcionalidades em um único produto. — Prosseguiu James. — Isso poderia causar uma sobrecarga nos olhos do usuário. Cada lente é desenvolvida para um tipo específico de aprimoramento.
O androide então sugeriu:
— Você pode personalizar sua experiência adquirindo duas funcionalidades, uma para cada olho. No entanto, devo alertá-la que essa escolha pode ser desconfortável no início. Como essas lentes são de altíssima definição, o cérebro pode levar um tempo para se acostumar. Por exemplo, combinar visão de águia com visão noturna de coruja pode gerar confusão nos primeiros dias de uso.
Ele fez um gesto sutil com as mãos, ilustrando a diferença entre os tipos de visão.
— Caso deseje testar antes de decidir, posso lhe oferecer uma simulação. Por favor, me acompanhe.
Ele apontou para uma cabine ao lado, pronta para demonstrar as capacidades das lentes.
Lua ponderou por um instante, analisando as informações fornecidas por James. — Certo, entendo. — Disse com um leve aceno. — Eu demorei a me acostumar com os óculos, então não vejo problema em passar por esse processo novamente. Ainda mais com todos esses benefícios... Não ter que tirar e sem precisar de manutenção? Isso parece ótimo.
Um brilho de determinação passou por seus olhos antes de concluir: — Eu gostaria de testar uma de cada. A visão de águia no olho direito e a visão de coruja no esquerdo. Se eu gostar, pretendo comprar. James assentiu, satisfeito com a escolha da cliente. — Perfeito, senhorita. Por favor, me acompanhe.
Ele guiou Lua até uma cadeira confortável e ajustável, projetada especificamente para testes de lentes avançadas. Com movimentos precisos e suaves, o androide programou um par de óculos especiais, que simulavam as funcionalidades escolhidas.
— Esses óculos irão replicar exatamente a experiência das lentes, para que possa avaliar o resultado antes da compra. — Explicou enquanto posicionava o acessório nos olhos de Lua. Assim que os óculos se ajustaram ao rosto dela, a mudança foi instantânea.
No olho direito, Lua enxergava como uma águia. Cada detalhe à sua frente parecia ampliado, nítido e incrivelmente detalhado, permitindo que visse objetos a uma distância impressionante. Já no olho esquerdo, a escuridão da loja se transformou em um campo iluminado por tons de azul e violeta, simulando a visão noturna de uma coruja. Ela conseguia perceber formas e movimentos na penumbra com uma clareza surpreendente.
A sensação, no entanto, foi avassaladora. Sua mente lutava para processar as duas realidades ao mesmo tempo — um olho enxergava tudo com detalhes absurdos à distância, enquanto o outro adaptava-se a um ambiente de baixa luminosidade. O desequilíbrio visual a atingiu como uma onda, fazendo seu estômago revirar levemente.
Lua fechou os olhos por um momento, respirando fundo.
"Concentre-se… ajuste-se."
Ela manteve o foco, forçando-se a se acostumar à nova percepção. No entanto, após alguns minutos de teste, a tontura ainda persistia.
James, atento à reação da cliente, notou os sinais de desconforto e, com eficiência, retirou os óculos especiais.
Lua piscou algumas vezes, tentando dissipar a leve vertigem e a dor de cabeça que surgira.
— Aqui, isso ajudará. — Disse James, entregando-lhe uma pequena pastilha.
Ela aceitou, colocando-a na boca. O efeito refrescante começou a aliviar os sintomas quase imediatamente.
— A adaptação leva tempo, mas a experiência inicial foi impressionante. — Comentou, ainda sentindo os resquícios do teste.
James sorriu de forma robótica, sempre prestativo.
— A senhorita deseja continuar com a compra, ou gostaria de testar outra combinação?
Lua respirou fundo, ainda se ajustando após o teste, mas estava decidida.
— Pretendo continuar com a compra, pois, se eu ficar aqui, vou querer testar muitas outras opções. Mas não sei se temos tanto tempo assim. — Ela então olhou para July e sorriu. — July disse que me levaria a outros lugares.
Voltando-se para James, continuou:
— Além disso, as lentes que testei eram exatamente o que eu procurava. Algo para me ajudar a enxergar melhor durante o dia e também algo para a noite. Desde jovem, estou acostumada a perambular na escuridão.
James assentiu e indicou o banco novamente.
— Muito bem, senhorita. Vamos proceder com a instalação.
Lua sentou-se, e o androide iniciou o processo com extrema precisão. Ele manuseava as lentes com movimentos suaves e calculados, encaixando-as perfeitamente sobre os olhos de Lua. Assim que finalizou, recuou e explicou:
— Para alternar entre a visão normal e a visão aprimorada, basta piscar duas vezes para ativar e duas vezes para desativar. Dessa forma, a senhorita não terá problemas para se ajustar.
Ele fez uma breve pausa antes de continuar:
— Recomendamos que use a visão aprimorada apenas uma vez por dia, por 30 minutos, até que se acostume. Nos primeiros sete dias, podem ocorrer sintomas leves, como enjoo, dor de cabeça e tontura. Portanto, tenha cuidado ao iniciar o uso dos aprimoramentos.
Lua acenou com a cabeça, absorvendo as informações.
— Entendido.
Ela então levou a mão até sua pequena bolsa e retirou algumas moedas douradas reluzentes.
— Aqui, vocês aceitam esse dinheiro? — Perguntou, estendendo as moedas para James.
O androide escaneou as moedas e emitiu um som eletrônico antes de responder:
— O valor das lentes é de 8.500 zin. Sinto muito, senhorita, apenas aceitamos créditos em zin.
Lua franziu levemente o cenho, um tanto desconcertada. Antes que pudesse pensar em uma alternativa, July interveio com um sorriso tranquilo.
— Tudo bem, eu pago.
Ela estendeu a mão sobre a tela holográfica projetada por James e concluiu a transação com um simples toque. O visor piscou em verde, confirmando o pagamento.
Lua e July saíram da HoloLens, o som suave das ruas de Zintria preenchendo o ar enquanto caminhavam pela calçada. Lua ainda estava visivelmente encantada com a paisagem futurista ao seu redor. À noite, o céu estava completamente coberto, sem estrelas visíveis, mas os drones zumbiam suavemente sobre as cabeças das pessoas, realizando suas tarefas, iluminando as ruas com luzes artificiais e criando uma atmosfera única.
Lua não conseguia desviar o olhar da movimentação intensa da cidade, as ruas limpas, os prédios que pareciam flutuar no ar e os carros de última geração que passavam suavemente por elas. Tudo era novo e fascinante.
— É... tudo aqui é tão diferente... tão... avançado. — Lua comentou, ainda absorvendo o cenário surreal, seus olhos brilhando com uma mistura de surpresa e curiosidade.
Foi quando algo na vitrine de uma loja chamou sua atenção.
A loja, chamada NeuroTech Hub, parecia especializada em implantes neurais e acessórios cibernéticos. Dentro da vitrine, Lua viu uma variedade de gadgets futurísticos: exoesqueletos, assistentes pessoais baseados em IA, e uma série de dispositivos de aparência sofisticada. Ela não conseguiu evitar a atração irresistível pela tecnologia avançada que preenchia a vitrine.
Guiada por sua curiosidade incontrolável, seus pés a levaram até a entrada da loja.
— Lua? — July chamou suavemente, rindo baixinho ao ver o comportamento de sua amiga, que parecia hipnotizada pela loja. Com um sorriso divertido, ela seguiu Lua até a entrada.
Ao entrarem, o ambiente era preenchido por um brilho suave de luzes neon e displays holográficos que pareciam flutuar no ar. A loja estava repleta de clientes examinando os produtos, e o ambiente era uma mistura de tecnologia de ponta com uma atmosfera acolhedora.
Logo, um homem de cabelos loiros bem penteados e olhos azuis vibrantes se aproximou das duas. Seu terno preto era perfeitamente alinhado com a estética moderna do local, e seu sorriso acolhedor transmitia uma simpatia quase instantânea. Seu crachá reluzia com o nome: Kael Doren.
— Bem-vindas ao NeuroTech Hub. — Ele disse com uma voz suave e cheia de simpatia, fazendo um gesto gentil com a mão. — Fico feliz em vê-las por aqui. Como posso ajudá-las?
Lua olhou ao redor com curiosidade, mas logo algo chamou sua atenção, ela se aproximou da vitrine próxima, os olhos se fixando em um par de dispositivos preto com pequenos circuitos brilhando em violeta.
— O que é aquilo na vitrine? — perguntou, inclinando levemente a cabeça. — Aqueles objetos que parecem luvas? Mas… não sei bem se é realmente uma luva.
Ela apontava para o par de luvas high-tech que pareciam flutuar sob uma base transparente. Luzes pulsavam em sincronia com um padrão sutil, como se o objeto tivesse um ritmo próprio.
Kael sorriu ao ver o interesse nos olhos de Lua e, com um gesto elegante, desbloqueou a vitrine com um toque em seu bracelete holográfico. Um leve chiado eletrônico ecoou quando o vidro deslizou para o lado.
— Deixe-me apresentar uma das nossas maiores inovações — disse ele, retirando cuidadosamente o par de luvas pretas com circuitos violetas pulsantes. — Aegis-X7: Luva de Projeção Defensiva com Nano robôs Integrados.
Ele ergueu uma das luvas diante das duas, permitindo que vissem melhor os detalhes do equipamento. A peça era elegante, com um design ajustado, composta por uma liga metálica leve e flexível que parecia se moldar perfeitamente à mão.
— Em repouso, ela pode parecer apenas um acessório estiloso, mas… — Kael deslizou a luva em sua mão com habilidade e seus olhos brilharam por um instante. — Observem.
Ao levantar o braço com um leve movimento de punho, a luva brilhou intensamente. Em um estalo quase inaudível, bilhões de nano robôs emergiram da superfície da luva como poeira cintilante, se organizando em instantes no ar. O resultado foi um escudo translúcido de padrão hexagonal, flutuando firme à frente de Kael.
— O Escudo Aegis. — ele anunciou com orgulho. — Pode variar de tamanho e forma, dependendo da sua vontade. Desde um pequeno escudo para bloqueios rápidos até uma parede protetora para cobrir aliados.
Lua deu um passo à frente, observando fascinada os hexágonos cintilantes e a maneira como o escudo reagia sutilmente à movimentação de Kael.
— Ele... parece leve, mas sólido — comentou Lua, com os olhos fixos no escudo flutuante. — E… disse que responde ao pensamento?
Kael assentiu, sorrindo de lado.
— Exatamente. A interface neural lê os impulsos elétricos do usuário. Não é necessário nenhum gesto específico — basta o pensamento. E, em situações críticas, o modo de sobrecarga pode ser ativado, liberando uma onda de energia capaz de repelir inimigos próximos. Ideal para abrir espaço ou escapar de emboscadas. Claro… com um alto custo energético. Não dá pra abusar.
— Isso é… incrível — disse Lua em voz baixa, quase num sussurro, encantada.
— E perigoso também — completou Kael, com um brilho misterioso nos olhos. — Mas nas mãos certas… pode salvar vidas.
Kael percebeu o brilho de fascínio nos olhos de Lua ao observar a Aegis-X7, mas, com um leve sorriso de quem guarda um segredo ainda mais interessante, se virou para um painel lateral próximo à vitrine.
— Se gostaram da Aegis-X7… — disse ele, deslizando dois dedos por uma trilha de luz azul no vidro
— …então vocês definitivamente vão querer ver isto. Com um leve zumbido mecânico, uma nova seção da vitrine se abriu, revelando outra peça tecnológica — desta vez, com um visual muito mais sombrio.
O par de luvas exposto ali parecia feito para um predador noturno. pretas, com acabamento fosco que absorvia a luz ao redor, traziam traços elegantes mas perigosos, e uma aura silenciosa de letalidade.
Em contraste sutil, linhas finas em neon vermelho pulsavam como veias sob a superfície, embora pudessem ser trocadas para violeta ou outra cor personalizada.
— Apresento a vocês a Nyx-Claw V9 — anunciou Kael com uma voz mais baixa, quase em tom conspiratório. — Uma luva tática de infiltração e combate corpo a corpo. Feita para quem precisa eliminar uma ameaça antes que ela perceba sua presença. Ele retirou cuidadosamente uma das luvas e a calçou com fluidez. O material pareceu se moldar perfeitamente à sua mão, como se tivesse sido feito sob medida.
— Feita com um tecido sintético resistente a calor, eletricidade e corte. — Kael começou a demonstrar, flexionando os dedos. — Leve, maleável… silenciosa. Com um leve movimento da mão, seguido de um estalo quase inaudível, cinco garras afiadas como navalhas deslizaram para fora de seus dedos. De aparência metálica, tinham um brilho escuro, quase líquido, e formavam uma extensão natural da mão.
— As garras são feitas de titanium-edge, uma liga com memória de forma. Elas se afiam sozinhas após o uso, e você pode escolher o comprimento com um simples comando neural. Veja…
As garras se retraíram com suavidade e depois voltaram a se projetar, desta vez com quase o dobro do comprimento anterior, atingindo cerca de 20 cm.
— Perfeitas para cortes precisos ou… investidas brutais — comentou ele, demonstrando um golpe no ar, cuja velocidade e silhueta lembravam as garras de um felino em caça. — Ah, e os nós dos dedos têm reforço, o que permite socos devastadores mesmo sem ativar as lâminas.
Kael deu um passo para o lado, ativando outro painel com um gesto ágil. A vitrine piscou suavemente e, em seguida, se transformou, revelando uma fileira impressionante de novos dispositivos tecnológicos.
Acima dela, um holograma em 3D começou a girar lentamente, exibindo imagens detalhadas de botas, cintos e pequenos androides comunicadores flutuando ao redor de uma representação em miniatura de uma cidade futurista.
— Além das luvas, temos também algumas peças bastante populares entre aventureiros urbanos, civis em zonas de risco e até comerciantes como você, senhorita — disse Kael, voltando-se para July com um brilho nos olhos. — Aqui, por exemplo… Ele tocou no holograma e ampliou a visualização de um par de botas metálicas com solado reforçado e pequenos propulsores embutidos nas laterais do calcanhar.
— As Botas de Propulsão Strider Vault -X9. Equipadas com mini-jatos estabilizadores e sensores gravitacionais, permitem saltos de até 15 metros, controle de direção em pleno ar e aterrissagem suave. Úteis tanto para fuga quanto para acrobacias em ambientes verticais.
— Uau… — murmurou Lua, maravilhada.
— Tudo é tão interessante, e irá ajudar. — Seus olhos brilharam com entusiasmo contido. — Eu gostei de tudo, mas dessas luvas... — disse, apontando com firmeza. — Sou uma pessoa que explora muito. Uma proteção defensiva sempre é bem-vinda. Pretendo levá-la.
Ela então se virou com suavidade, seu manto ondulando levemente com o movimento, e encarou July com um olhar amistoso e curioso:
— E quanto aos robôs? — perguntou July animada. — Estou pensando em comprar um novo para o Hypercafe. Algo carismático, que atenda clientes, mas que também saiba dançar um pouco, sabe? Preciso de presença, estilo… e funcionalidade, claro.
Kael sorriu, claramente satisfeito com o entusiasmo dela.
— Ah, então você precisa conhecer os modelos da linha Elios-Vibe — disse ele, fazendo surgir um novo holograma que mostrava um robô elegante, com silhueta esguia e articulações suaves. — Criados especialmente para ambientes comerciais, com inteligência artificial focada em atendimento ao público, resposta emocional, e... sim, algoritmos de dança integrados com sincronização musical.
O holograma do robô fez uma leve reverência e, em seguida, começou a dançar uma batida eletrônica suave, com movimentos fluídos e expressivos. July soltou um riso encantado.
— Eu preciso desse! — disse ela, batendo levemente as mãos. — Posso preparar uma demonstração completa, se quiserem — disse Kael, abrindo um painel lateral onde modelos reais estavam em repouso, prontos para ativação. — Ou talvez queiram dar uma volta pela seção de aprimoramentos? Temos upgrades para membros cibernéticos, olhos ópticos, e implantes de memória de curto alcance… Ele então olhou para Lua e sua companheira com gentileza. — Aqui no NeuroTech Hub, não vendemos só tecnologia. vendemos possibilidades.
Depois de explorarem os corredores cintilantes e repletos de tecnologia do NeuroTech Hub, Lua e July estavam maravilhadas com a variedade de dispositivos expostos por Kael,
Enquanto Lua analisava a luva, July, empolgada, decidiu investir em algo mais robusto para seu negócio: adquiriu um novo robô assistente, com inteligência aprimorada para atendimento e manutenção do Hypercafé, além de um par reluzente de botas Strider Vault -X9. , que se adaptavam ao terreno e ofereciam amortecimento, salto aprimorado e estabilidade perfeita — ideais para alguém que passava o dia em movimento.
Ambas finalizaram as compras com um simples gesto no NeuroBrace — o chip de pulso piscou em azul, confirmando o pagamento. July, sempre prática, solicitou que os itens fossem enviados por teletransporte direto ao Hypercafé.
A entrega seria quase instantânea — prática comum em Zintria, onde a logística era tão futurista quanto silenciosa. Um brilho roxo envolveu as embalagens, que desapareceram no ar com um discreto “zip”. Com os olhos ainda brilhando de empolgação, as duas saíram do NeuroTech Hub.
Elas caminharam animadas até a próxima parada: a charmosa e curiosa CloudPets — uma loja de pets androides.
Lua e July, fascinadas pela vitrine repleta de movimentos e sons mecânicos sutis, não resistiram e entraram na loja. O cenário diante delas era uma verdadeira maravilha: animais robóticos circulavam livremente pelo espaço, cada um imitando com perfeição os gestos de suas contrapartes naturais.
No centro da loja, sobre um tronco artificial polido e cheio de sensores luminosos, uma imponente águia metálica observava o ambiente com olhos dourados que brilhavam levemente. Acima delas, uma coruja robótica planava em círculos, suas asas articuladas movendo-se com graça surpreendente, antes de pousar com suavidade em uma superfície metálica perto do teto.
No balcão à direita, gatos robóticos se enroscavam preguiçosamente, exibindo movimentos felinos tão fluidos que era difícil lembrar que não eram de carne e osso. Mais adiante, na vitrine da frente, alguns cães robóticos descansavam no chão, balançando os rabos em resposta aos sons da rua, como se sonhassem acordados.
Enquanto as duas jovens absorviam aquela visão encantadora, um senhor de aparência simpática se aproximou. Ele parecia ter cerca de cinquenta anos, com cabelos grisalhos bem cuidados, olhos verdes vivos e dois braços robóticos de acabamento metálico fosco. Seu sorriso era acolhedor e genuíno.
"Bem-vindas ao CloudPets," disse ele com voz grave e amistosa, estendendo um dos braços artificiais em saudação.
Lua e July se entreolharam, maravilhadas não só com os animais, mas também com aquele anfitrião tão peculiar.
Encantada com a seção de hologramas exibindo criaturas incríveis, Lua aproximou- se ainda mais da tela e voltou-se para Cedric com brilho nos olhos.
"Eu... estou muito interessada nesses MythPets," disse ela com entusiasmo. "Pode me explicar mais sobre eles?"
Cedric sorriu satisfeito, como quem apreciava ver jovens se maravilharem com seu trabalho. Ele cruzou os braços — o leve rangido dos componentes robóticos soando discretamente — e começou a explicar:
"Ah, os MythPets são nosso orgulho," disse com orgulho na voz. "Esses pets são totalmente customizáveis. Nós nos inspiramos em criaturas extintas e também em seres lendários que povoam as histórias: dragões, unicórnios, fadas, grifos... o que a imaginação permitir."
Lua ouvia atentamente, enquanto July também se aproximava, curiosa.
"Mas," continuou Cedric, com um tom mais sério, "o processo de criação desses pets é demorado. Leva cerca de um mês para confeccionarmos um MythPet." Ele fez uma pausa, para ter certeza de que elas compreendiam. "Eu preciso encomendar peças específicas de Eteria, que é uma das poucas cidades que ainda produz materiais de alta qualidade para esse tipo de projeto."
Cedric então apontou para a tela, onde mostrava modelos de diversos tamanhos, formas e níveis de complexidade.
"Além disso, há a questão da programação. Cada MythPet é configurado conforme a escolha do usuário: personalidade, habilidades, tipo de interação... tudo é cuidadosamente ajustado para criar algo único."
Lua arregalou os olhos, maravilhada com as possibilidades. Cedric então concluiu:
"Sobre o preço... a personalização de um MythPet custa, em média, de 150 mil a 800 mil Zin, dependendo do tamanho e da sofisticação da programação."
— Dragões... — murmurou Lua, os olhos ainda fixos nos hologramas. — Seria fascinante ter um. — Seus lábios se curvaram num leve sorriso sonhador. Ela então se virou animada para July, seus cabelos se movendo com o gesto repentino. — Eu gostaria de um MythPet. — deu uma risadinha suave e acrescentou: — O que acha? Qual deles combinaria comigo?
July cruzou os braços e inclinou a cabeça, analisando a amiga com um olhar crítico, mas carinhoso.
— Um cachorro talvez combine. Mas... um dragão? Lua, você é meiga demais pra isso. — fez uma careta divertida. — Agora, uma coruja? Essa sim seria perfeita pra você! Se uma coruja de verdade já é esperta, imagine uma robótica! E elas simbolizam sabedoria… combina com você, que vive mergulhada em livros. Caçadora de conhecimento.
Lua parou por um instante, tocada pela lembrança que veio à mente. Seus olhos suavizaram e ela falou num tom mais baixo, quase nostálgico:
— Será que teria uma coruja branca com amarelo? — disse, voltando a encarar os hologramas. — Eu tive uma assim quando morei em Grimor. Bem, na verdade era da minha tia, mas eu a considerava minha. Ela se chamava Astra.
Fechando os olhos por um breve segundo, Lua pareceu tentar reunir os detalhes da memória.
— Toda branca, com algumas penas amareladas, quase puxadas pro marrom claro. E os olhinhos pretos, tão expressivos... Ela era magnífica, esperta e muito fofa.
Com o coração leve e uma pontinha de emoção na voz, ela se virou para Cedric:
— Senhor Cedric... seria possível uma pet-coruja com essa coloração? Algo próximo da Astra?
Cedric, que observava com atenção e respeito o vínculo emocional na fala de Lua, respondeu com um sorriso sereno:
— Sim, temos sim, — disse com um aceno afirmativo. — Na categoria SkyPets. E posso garantir: conseguimos uma coloração muito próxima do que descreveu. Posso até ativar uma para demonstração, se desejar.
Cedric deu alguns passos em direção ao painel de controle próximo à parede, seus dedos robóticos deslizando com precisão pelos comandos sensíveis ao toque. As luzes da loja suavizaram levemente, e um som sutil ecoou pelo teto — algo entre um canto metálico e o ruído de asas se abrindo.
De uma abertura oculta no alto da parede lateral, uma figura alva surgiu, planando com elegância pelo ar. Era uma coruja robótica de coloração branca reluzente, com delicadas penas sintéticas em tons amarelo-pálido, algumas puxadas para o marrom dourado nas pontas. Seus olhos eram pretos como obsidiana, brilhando com inteligência artificial calibrada para expressar empatia e foco.
Lua ofegou de leve, o coração acelerado pela semelhança inesperada.
— Astra... — murmurou quase sem perceber, os olhos fixos na criatura alçando voo suave pela loja.
A coruja circulou lentamente sobre elas, antes de descer com precisão e leveza sobre um galho de arvore artificial próximo. Cedric se aproximou da jovem maga e comentou:
— Essa é o modelo SkyPet Série AV-X10, ela é programável, pode aprender comandos, reconhecer seu dono, registrar voos personalizados e até se conectar a redes de informação para pesquisas rápidas. Uma verdadeira companheira para estudiosos e viajantes.
Lua se aproximou com cuidado, e a coruja virou a cabeça suavemente na direção dela, como se estivesse curiosa. A jovem estendeu a mão com respeito, e a coruja tocou levemente com o bico metálico em seus dedos — um gesto gentil, quase afetuoso.
— Ela é incrível... parece mesmo com a minha Astra, — disse Lua, sorrindo emocionada.
Lua ainda observava a coruja com ternura quando falou, quase sem perceber: — Certo, gostaria de levá-la sim. Como faço com o pagamento? Posso deixá-la paga já...? — Sua voz saiu suave, emocionada, e só depois de perguntar ela notou que Cedric já havia mencionado isso anteriormente.
Ela sorriu de leve, quase envergonhada com sua própria distração, mas logo mergulhou de novo nas memórias. Seus olhos estavam úmidos, não de tristeza, mas de saudade doce. — Bem... Astra era esperta. Muito esperta. E fofa. E focada também, — começou a dizer, como se estivesse se lembrando em voz alta, mais para si mesma do que para os outros. — Mas, acima de tudo, ela era carinhosa. Tinha umas manias engraçadinhas…
Lua ergueu uma das mãos, gesticulando delicadamente enquanto falava: — Quando ficava empolgada, batia as asas três vezes seguidas, como se estivesse comemorando algo. E quando queria carinho, ela esfregava a cabeça em nós, igual um gato carente. Deu uma risadinha abafada, enxugando os olhos com a manga.
— E quando estava preocupada com a gente… dava uma bicadinha de leve na mão, só pra chamar atenção. Era como se ela dissesse "ei". Aí, quando olhávamos pra ela, ela nos encarava e abria o biquinho, emitindo um som baixinho, tipo perguntando: "está tudo bem?" Lua então fez uma pausa, respirou fundo, e continuou, agora com um brilho especial no olhar:
— E quando ela se irritava, andava de um lado pro outro em cima da nossa mesa, bem na nossa frente, tipo “não vou sair daqui até vocês me ouvirem”. Cada lembrança trazia um sorriso novo, mas também mais lágrimas, que ela deixava cair sem vergonha. Era nítido que Astra havia sido uma parte muito importante de sua vida.
— Seria uma linda homenagem a ela… ter esses pequenos detalhes, — murmurou com um nó doce na garganta.
Mas então franziu levemente o cenho, pensativa.
— Mas… também gostaria que essa Astra aqui fosse única. Que ela tivesse outras coisas, além do que foi a Astra do passado. Assim, ambas continuam especiais, cada uma à sua maneira.
Ela se virou para Cedric, com um novo entusiasmo nos olhos:
— Senhor… tem como ela gostar de histórias? De livros? Como... gostar de ouvir contos enquanto eu leio, ou mesmo me ajudar em pesquisas? Eu amei aquela parte de que ela poderia armazenar informações.
Cedric, que havia escutado tudo em silêncio respeitoso, sorriu gentilmente, tocado pela profundidade do sentimento de Lua.
— É possível, sim, senhorita, — disse com a voz calma e firme. — Podemos programar todas essas características na sua SkyPet. Cada uma das manias que descreveu, cada gesto, cada som. Acredite, ela poderá carregar muito do espírito da Astra original, com a beleza de ser também algo novo.
Ele então se aproximou da interface de programação e mostrou a ela uma tela interativa.
— Além disso, essa versão já vem com um banco de dados integrado, que recebe atualizações constantes com as notícias mais recentes, e tem a capacidade de armazenar até 10 terabytes de informação.
— Ela pode navegar pelo banco de dados público local, ajudá-la em pesquisas, e mais importante… — ele sorriu de forma mais calorosa. — ...com o sistema de inteligência artificial consciente, sua Astra pode aprender com você. Adaptar-se. Moldar a própria personalidade conforme o tempo passa. Ela vai ser muito mais que um pet, senhorita. Ela será uma companheira.
Lua levou a mão ao peito mais uma vez, emocionada.
— Obrigada, senhor Cedric… de verdade.
Lua ainda segurava firme a emoção, mas seus olhos agora brilhavam com a expectativa de ter uma nova Astra ao seu lado — não apenas uma lembrança do passado, mas uma nova companheira moldada com carinho, tecnologia e afeto.
Cedric observou aquele momento com respeito e, antes que Lua pudesse dizer algo mais, acrescentou com um tom sereno:
— Se a senhorita quiser, também posso integrar ao sistema dela um programa de fala. Além dos sons naturais de uma coruja, que já vêm programados, posso configurar uma linguagem falada.
Ele fez uma pausa, abrindo uma interface holográfica diante de Lua, onde já havia detalhes da SkyPet.
— Com esse sistema, ela poderá se comunicar com você verbalmente. Eu programarei o idioma que preferir — ou os idiomas. Com o suporte da inteligência artificial consciente, ela poderá aprender novos idiomas em cerca de uma hora. E não só isso… ela poderá servir como tradutora em tempo real.
Cedric sorriu de forma orgulhosa, como um artesão orgulhoso de sua obra.
— Basta me informar quais idiomas gostaria que eu colocasse como base. O resto, ela poderá aprender com a convivência.
Lua, surpresa, levou a mão aos lábios, quase sem palavras.
— Ela… vai poder falar comigo? Com voz mesmo? E traduzir…? Uau… — Ela então olhou para July, impressionada. — Você ouviu isso? É como ter uma coruja bibliotecária, professora e amiga ao mesmo tempo!
July riu com leveza: — Astra 2.0, versão sábia e tecnológica. Acho que ela vai dar um show.
Lua respirou fundo, tentando conter mais uma onda de emoção:
— Então, eu gostaria que ela falasse o idioma comum de Eteria… e também o de Grimor e Oryon. Ah, e se possível, o da região de Zintria. E, se der, deixe o sistema aberto para ela aprender outros comigo…
Cedric já digitava na interface:
— Perfeitamente possível. Estarei incluindo essas quatros linguagens agora como padrão inicial. E o sistema estará aberto para que ela aprenda conforme a senhorita desejar.
Lua então puxou seu bracelete digital e tocou nele, abrindo a aba de pagamento. Com um pequeno gesto, liberou o valor total com um brilho holográfico que confirmou a transação.
— Gostaria de deixar tudo pago agora. E… se possível, iniciar o processo de fabricação com prioridade. Eu realmente quero tê-la comigo logo.
Cedric assentiu, satisfeito:
— O pedido foi confirmado. A SkyPet será confeccionada com os detalhes emocionais, comportamentais e funcionais que mencionou. Será necessário uma semana para a entrega pois tenho que programar ela, mas prometo que será exatamente como sonhou, senhorita Lua.
Lua sorriu com os olhos marejados:
— Obrigada… mesmo. Isso significa muito mais do que parece.
July segurou a mão dela com firmeza:
— A Astra vai ser incrível. E vai te acompanhar em cada nova jornada.
Enquanto saíam da loja, uma sensação morna e reconfortante tomava conta de Lua. Não era só tecnologia. Era uma memória reimaginada, uma parte do passado que agora ganharia vida no presente — e com asas para voar ao lado dela outra vez.
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